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		<title>Primeiro blog : Primeiro blog</title>
		<link>http://philoblog.bloggeiro.com/Primeiro-blog-b1.htm</link>
		<description>Seu primeiro blog</description>
		<lastBuildDate>Tue, 16 Mar 2010 12:45:32 GMT</lastBuildDate>
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			<title>Primeiro blog : Primeiro blog</title>
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		<title>A Última Aventura Humana sobre a Terra</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-02T14:57:03Z</pubDate>
		<description>&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial&quot;&gt;&amp;quot;A fidelidade à Terra&lt;em&gt;&amp;quot;,&lt;/em&gt; de que nos fala o “&lt;em&gt;Zarathustra&lt;/em&gt;” de Nietzsche, logo no princípio de sua “pregação”, pode ser entendida como uma fidelidade ao mundano (&lt;em&gt;weltlich&lt;/em&gt;), terreno (&lt;em&gt;irdisch&lt;/em&gt;), à essa vida cá em baixo (&lt;em&gt;diesseits&lt;/em&gt;), pois é o que nos resta quando não temos mais fé no além (&lt;em&gt;Jenseits&lt;/em&gt;), no mundo além (&lt;em&gt;überweltlich&lt;/em&gt;), ultra-terreno&lt;em&gt; &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;überirdisch&lt;/em&gt;), seja aquele platônico, das idéias, da filosofia, seja aquele cristão, das virtudes, da religião. Acabam-se, assim, ilusões como a da verdade e de uma divindade, ficando só o ser humano. A rigor, não há “ser” humano, mas apenas “sendo” humano. E nesse vir a ser, pode-se ser tanto no modo da super-ação, como também da retro-ação, jamais da in-ação. Para escapar ao abismo do nada que então se revela, dentro dele e ao seu redor, no mundo ao redor e em seu interior, o ser humano cria, voluntariamente, uma ilusão e se projeta sobre esse abismo, lança-se qual uma flecha puxando uma corda na direção do horizonte, para permitir a outros atravessarem o abismo, caso ele - ou ela - venha a atingir o seu destino, dando-lhes um sentido (&lt;em&gt;Sinn&lt;/em&gt;), a superação (&lt;em&gt;Überwindung&lt;/em&gt;) de si pela realização de si, pelo tornar-se (&lt;em&gt;werden&lt;/em&gt;) o que se é: o super-homem (&lt;em&gt;Übermensch&lt;/em&gt;), o único além (&lt;em&gt;über&lt;/em&gt;) desejável, possível. Eis o sentido da vida na terra, o sentido da terra: tornar-se o que não é, mais do que é, para ser o que já foi. Incan-descer. Não somos pó e ao pó retornaremos, por sermos da terra. Não somos de terra, somos do fogo, pois enquanto organismos, somos combustão, combustível, de origem solar, e ao fogo retornaremos, quando apagarmos, até que também se apague a nossa estrela, e depois se faça novamente a escuridão e da escuridão, tal como antes, novamente se faça a luz, e novamente nos dêem a luz, o mesmo eternamente retornando... &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial&quot;&gt;Então, se é assim, por que a pressa? Seria o caso de tentar prolongar essa estadia sobre a terra, aceitando-a mesmo que precária, limitada, tão limitada, e ainda assim tão diversa. Por que não diversificá-la ainda mais? Atualmente, no entanto, agimos individual e coletivamente de uma forma que nos está conduzindo antes a abreviar do que a prolongar essa nossa experiência de vida sobre a Terra - e isso tanto no plano individual, como coletivo, mundial.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial&quot;&gt;A fidelidade à Terra e à vida que se tem sobre (&lt;em&gt;über&lt;/em&gt;) ela vem nos cobrando, exigindo, reclamando a preservação delas, que é a nossa também, quer dizer, uma proteção contra nós mesmos, os humanos, cada vez menos “super”, e, portanto, cada vez mais “sub”, já que o demasiado humano é desumano. O desencantamento da razão - cf., sobre o que segue neste parágrafo, a “Dialética do Esclarecimento” de Horkheimer e Adorno (v. o “fragmento” da parte final, denominado “Para uma Crítica da Filosofia da História”), bem como a “Dialética Negativa”, deste último, especialmente suas últimas páginas - a revelou como negativa, um “acidente” da natureza, que gerou essa espécie que somos, portadores dessa arma-mãe, o &lt;em&gt;logos&lt;/em&gt;, com a qual, enquanto espécie, nos tornamos imbatíveis por qualquer outra, exterminamos as concorrentes mais próximas - como também várias outras, não tão próximas, por efeito colateral -, e impedimos o aparecimento de alguma outra, mais “evoluída”: barramos a “evolução” natural. O “super-homem”, portanto, não será uma nova espécie natural, um produto da natureza, como ainda foi o homem, ou seja, uma espécie natural mais evoluída que este último: isso é impossível. O super-homem será, se o for, um produto do próprio homem, que, voltando-se para si, superar-se-á, por um retorno à natureza, ao natural, que nele habita, enquanto sua origem - “fidelidade à (mãe-pátria-) terra”: será ainda possível? &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial&quot;&gt;O que ainda haverá de natural em nós, do que não nos distanciamos o suficiente para ainda nos reconhecermos ali? Trata-se de (re)encontrar conscientemente o que tanto ansiamos inconscientemente, o “retorno ao orgânico”, antes que ao inorgânico, como atesta a invenção freudiana da pulsão de morte. O super-homem, então, pode ser aquele entre nós, humanos, que se mostra capaz de vivenciar a própria morte ainda enquanto vivo, enquanto homem, homem que já “matou” qualquer além-do-homem que não seja humano, natural, seja Deus, a Verdade, ou qualquer manifestação sobre (&lt;em&gt;über&lt;/em&gt;)-natural. Que experiência é esta? Podemos denominá-la “a última aventura”, a última aventura humana sobre a Terra, nossa maior experiência, a que nos justifica a vida propriamente humana, donde ser o super-homem o sentido da vida do homem sobre a Terra - o “sentido da Terra”, portanto, que se encarna no homem. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial&quot;&gt;Esta experiência aventurosa, que se nos afigura a mais venturosa, só pode ser vivida individualmente. Considerando um relato dos que a teriam vivido, enquanto experiência mística, ela pressupõe a consciência da individualidade, para dela prescindir, pois consiste em uma experiência de dissolução dessa individualidade, numa espécie de “fusão cósmica” do consciente no inconsciente, para expressarmos a idéia em termos psicanalíticos, evitando, assim, o descrédito ocasionado pela conhecida análise freudiana do sentimento místico. Do que se trata, portanto, é de nos tornarmos, o quanto possível, conscientes do inconsciente, sendo nesse sentido que se compreenderia o imperativo categórico psicanalítico: &lt;em&gt;wo Es war, soll Ich werden &lt;/em&gt;(“onde era o Isso - &lt;em&gt;id &lt;/em&gt;-, o Eu - &lt;em&gt;ego&lt;/em&gt; - deve advir”). Isso porque só no inconsciente é que somos, propriamente, enquanto o consciente é um constante “sendo”, sempre “advindo”&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; Daí se poder afirmar, por exemplo, que Deus é o inconsciente, caso Ele seja definido como o Ser, o “sou o que sou” do livro bíblico do Êxodo - v., para um&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;maior desenvolvimento dessa “metafísica do Êxodo” (É. Gilson), o trabalho que publicamos no &lt;em&gt;Festschrift &lt;/em&gt;Manfredo Araújo de Oliveira.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial&quot;&gt;Haverá ainda tempo e lugar para esta “última aventura humana sobre a Terra”, ou a “doença de pele” que a acomete, como Nietzsche certa feita se referiu à humanidade, tornou-se cancerosa e poderá ser-lhe fatal? A busca de conservação a todo custo, o medo de enfrentar a única certeza que temos, a de que a qualquer momento poderemos deixar de viver, de “ser”, encoraja o homem a fazer tudo o que lhe é possibilitado, pelo uso da razão, para evitar a morte, e com isso termina agindo contra a própria vida, que, afinal, é o agente da morte: não há vida sem morte. Aterrorizado por esta única possibilidade de que tem certeza da ocorrência, o ser humano não explora devidamente todas as outras possibilidades que se lhe oferece a vida nessa terra, pensando antes em evitar o momento da dor do que em aproveitar uma eternidade em júbilo após aquele momento, pois à dor segue-se o prazer e a este novamente a dor, indefinidamente, como canta o caminhante noturno (&lt;em&gt;Nachtwandler&lt;/em&gt;) no final do &lt;em&gt;Zarathustra&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial&quot;&gt;É diante de Deus, de um ente superior, criado pelo homem para lhe dar a ilusão de segurança, a garantia de permanência, em um mundo contingente e cambiante, que se postula a igual inferioridade dos homens, sua igualdade. Como assinala Nietzsche no capítulo denominado “Dos homens superiores” (&lt;em&gt;Vom höheren Menschen&lt;/em&gt;) de seu “&lt;em&gt;Zarathustra&lt;/em&gt;”, esse Deus é a maior ameaça ao super-homem, o maior empecilho à superação do homem, donde a morte de ambos, Deus e o homem, se fazer necessária, para que viva o ser humano sem o sobrenatural, fiel à Terra, à (sua) natureza. A Terra, no entanto, vem sendo arrasada por aquele “mais feio dos homens” (&lt;em&gt;der hässlichste Mensch&lt;/em&gt;) que aparece na parte IV do &lt;em&gt;“Zarathustra&lt;/em&gt;”, o assassino de Deus, que a tudo e a todos despreza, inclusive a si mesmo, matando Deus para que não testemunhasse seus mal-feitos, sendo este mesmo homem que, no antepenúltimo capítulo desta última parte do livro, ressuscitará Deus, não se importando mais com o seu julgamento nem com o ingresso no reino dos céus ou a vida eterna. O reino que interessa é o da Terra, a vida terrena e efêmera, incerta, mas sempre possível de retornar, a cada dia em que se desperta, até não haver mais despertar nem dia, restando ainda a possibilidade do retorno infinito do absoluto infinito, única eternidade que se nos oferece o pensamento nietzscheano, por ser a que ainda resta aos que não esperam mais nada além do que já têm.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial&quot;&gt;No penúltimo capítulo do “&lt;em&gt;Zarathustra&lt;/em&gt;”, o “homem horroso” (&lt;em&gt;der hässlichste Mensch&lt;/em&gt;) - o próprio Nietzsche? -, assim como os demais a seu redor, “homens superiores”, experimentam a vivência do eterno retorno, tornam-se super-homens, superam-se enquanto humanos, tornando-se o que são, imortais, pois a morte, de fim da vida, torna-se condição para o seu recomeço, assim como o começo também o foi. Na verdade, não haveria fim nem começo em um universo eterno, mas tão-somente acontecimentos que, do mesmo modo como se sucedem, também um dia se repetem, em um mesmo encadeamento: o que já aconteceu, portanto, acontecerá novamente, para que, de algum modo, seja sempre o que já foi, pois só pode ser eternamente o que é - e há o ser, como sabemos os que somos conscientes. A idéia do eterno retorno do mesmo apresenta-se, assim, como uma ficção necessária para se conceber a vida &lt;em&gt;sub specie eternitatis&lt;/em&gt;, a fim de não banalizá-la, mas também sem recorrer a algum forma de transcendência, ou seja, mantendo uma concepção de pura imanência. É aí que se abre uma possibilidade para os humanos de viverem sem aterrorizarem-se com a sua condição de permanente transformação, até a transformação final, que a qualquer momento poderia se dar. Assim, poderão organizar sua vida de acordo com essa ficção do eterno retorno, ao invés de qualquer outra - e alguma sempre terão, pois não há acesso possível a uma realidade última, para além da linguagem e do pensamento, podendo mesmo se afirmar que, mesmo se houvesse esse acesso, não haveria um retorno possível, sendo a experiência insuportável ou inenarrável, como atesta o sem-sentido da loucura e o inefável do místico. Passa-se, então, a viver “como se” já se tivesse vivido o que se vive e querendo viver o mesmo de novo e eternamente. A vida torna-se um fim em si mesmo,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;deixando-se de conceber esta vida como um meio para acesso a alguma outra, melhor, no além, ou em algum futuro indefinido - no primeiro caso, a vida é desvalorizada, enquanto no segundo, ela é super-valorizada, levando a que se aja contra a vida, seja por não se importar com ela, seja para evitar a morte a qualquer custo, já que poderá não haver mais nada além dessa única vida.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;A última aventura humana sobre a Terra, então, apresenta-se como a última porque nos exigirá mais do que vivenciar a própria morte, individualmente, mas também a possibilidade de sua ocorrência no plano coletivo, presenciando, eventualmente, a destruição da humanidade e, até, da própria Terra. Essa destruição está em curso, sendo obra dos que vivem apenas - ou demasiado - humanamente, de acordo com uma má ficção, seja aquela de que há uma vida melhor no além, seja uma outra, que se apresenta como moderna, segundo a qual a vida melhor nos será proporcionada pela exploração econômico-científica da Terra e de seus habitantes, quando aí reside um perigo ainda maior para o homem do que a crença na onipotência divina, pois é a crença na onipotência humana. Eis que a última aventura humana sobre a Terra será a última, se encerrar a aventura humana na Terra e, até, acabar com a própria Terra. E também será a última se a humanidade conseguir salvar-se e salvar a Terra, permanecendo fiel a ela, quando então terá se superado, enquanto forma de vida, superando o misto de terror e arrogância que a constitui. Uma melhor compreensão do que aqui se pretende expor pode ser alcançada se voltarmos nossa atenção para o capítulo sobre a ciência (&lt;em&gt;Von der Wissenschaft&lt;/em&gt;), também da citada IV parte do “&lt;em&gt;Zarathustra&lt;/em&gt;”, encerrando o presente ensaio.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial&quot;&gt;A paixão pela ciência, como Nietzsche escreve em “&lt;em&gt;Aurora&lt;/em&gt;” (&lt;em&gt;Morgenröthe&lt;/em&gt;, aforisma 429), nos dá uma coragem para ir até as últimas conseqüências, em busca do conhecimento, e, de todo modo, para ele, seria preferível que a humanidade perecesse, como resultado do avanço da ciência, do que tolerar um retrocessso do conhecimento, uma volta da barbárie. No capítulo intitulado “Da Ciência”, no “&lt;em&gt;Zarathustra&lt;/em&gt;”, o “mago” (&lt;em&gt;Zauberer&lt;/em&gt;) acabará de cantar seu desencanto com a busca da verdade, quando foi bruscamente interrompido por um espírito “consciencioso” (&lt;em&gt;Gewissenhafte&lt;/em&gt;), reprovando-o por desprezar a verdade, ao que retruca o “mago”, reprovando-o por “quebrar o encanto” da música, sem tê-la compreendido. O “consciencioso” homem de ciência, dando-se conta da oposição entre ele e o “mago”, mostra sua perplexidade em notar que, por serem tão diferentes, era de se concluir que, assim como ele estava em busca de segurança, o “mago” e os demais só poderiam estar em busca do contrário, do risco, da aventura. O “consciensioso”, então, louva o medo como a origem de toda virtude e de todo pecado, sendo a partir dele que desenvolveu sua virtude, a ciência, uma manifestação refinada e espiritualizada daquele medo original, o medo dos animais selvagens – inclusive daquele que, segundo Zarathustra, teríamos em nosso interior. Ao ouvir isto, Zarathustra se insurge, afirmando exatamente o contrário, invertendo a verdade do “consciensioso”, ao considerar a coragem e o gosto pela aventura, pelo incerto, o que fez o homem vencer todos os animais e se apropriar de suas forças (virtudes, em sentido literal), tornando-se, assim, homem, sendo esta coragem que se teria refinado, espiritualizado, para tornar-se, nos dias em curso, o que terminamos sem saber o que é, pois antes que Zarathustra pronuncia-se o que seria essa nova aquisição, o seu discurso é interrompido pelos presentes, gritando seu nome e gargalhando em seguida -&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;o “consciensioso”, então, se revela um “mal-espírito” do “mago”, devidamente exorcizado.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial&quot;&gt;E o que seria essa nova forma de saber, surgida da coragem e do gosto pela aventura, pela experimentação (lembremos que a raiz etimológica dessa palavra é a mesma da palavra “perigo”)? Penso ser este o saber que nos quis transmitir Nietzsche com o seu “&lt;em&gt;Zarathustra”&lt;/em&gt;, donde ter-se valido desse discurso tão inusual, fazendo um livro “para todos e ninguém”, em que se fundem filosofia, arte, religião e a própria ciência – especialmente aquelas mais recentes, como a psicanálise, com tantas afinidades com&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;pensamento nietzschiano -, dando origem ao que Wolfgang Müller-Lauter, no último capítulo de sua obra clássica sobre nosso autor, valendo-se de uma expressão dele mesmo, denominou “religião das religiões”. Trata-se de uma “religião” – ou “anti-religião” -, que ao contrário das demais, até hoje produzidas, não é o resultado do medo, do terror diante da realidade, da natureza, mas que a aceita, ao invés de negá-la, produzindo “um outro mundo”. Esta seria a “religião” que, ao invés de dar suporte a uma moralidade de fracos, baseada em inverdades, preservaria o sentimento de poder, próprio do fervor religioso, resultante, porém, de uma fé no saber, saber de si e do mundo, em sua unidade última indissolúvel, representada pela Terra, donde viemos e aonde retornaremos, sendo esta fé, portanto, fidelidade à Terra. Uma tal “profissão de fé” seria a última aventura humana sobre a Terra.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
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		<title>A RELIGIÃO EM NIETZSCHE  - PARTE I</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-02T15:56:46Z</pubDate>
		<description>&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Objetivo do presente estudo é situar a religião no pensamento de Nietzsche. Embora, como é de um modo geral conhecido, nosso A. se oponha a qualquer manifestação que se apresente como transcendente, de um “mundo além”, bem como a toda forma de monoteismo, seria incorreto afirmar que ele, simplesmente, propõe o ateísmo como alternativa. Isso porque, para ele, a religião se mostra como parte essencial de toda cultura saudável, ou seja, daquelas do passado e, especialmente, da Antigüidade grega mais recuada, sendo exatamente uma tal saúde que se perdeu na Modernidade, e que ele espera possamos alcançar superando-a, reatando vínculos perdidos com uma tradição, mais do que apostando em um progresso para melhorar, no que teria um papel importante a desempenhar novos deuses, forjados de acordo com uma ordem natural - “o sentido da Terra”, como ele diversas vezes menciona em seu “Zarathustra” -, para atender aos anseios maiores de uma humanidade que se pretende, buscando-os, também superar, para que viva o “além do homem”. É para semelhante cura da cultura que seria necessário mobilizar a filosofia, pondo-a no comando da ciência, da política e também da religião.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;A tão propalada “morte de Deus” é apresentada por Nietzsche como um evento terrível – após anunciá-la, Zarathustra se retira para a solidão do topo da montanha por dez anos -, mas graças ao qual se pode descobrir a vontade como um fato natural que em nós resulta na capacidade de produzir o sobrenatural enquanto ficção, novos deuses, ilusões que nos auxiliam a favorecer o engrandecimento da vida. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;Sim, porque para quem fora um (grande) filólogo, desistente dessa forma de teologia secularizada que é a filologia, convertido em poeta do pensamento, tendo percebido o mundo verdadeiro como uma fábula e a verdade como ficção, restou a prática de uma escrita criadora ou re-criadora do mundo, fazendo de sua obra o cenário em que se digladiavam as forças políticas e sociais de seu tempo, quando estava em gestação o nosso tempo, colaborando, desse modo, nessa gestação. É assim que para o autor da alentada obra “Nietzsche´s Corps/e”, o marxista althusseriano Geoff Waite,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;norte-americano da Escola “culturalista” de Frederic Jameson, Nietzsche teria inoculado-se como um vírus na cultura ocidental e, logo, mundial, seguindo antiga receita grega, fornecida, entre outros, por um de seus autores prediletos, Píndaro, para obtenção da imortalidade pela sobrevivência do próprio pensamento nos pósteros, que continuariam falando de quem os pensou ou, principalmente, pensando, até sem o saber, o mesmo que antes já fora pensado pelo morto. Então, nos parece que o modo mais eficaz de se permanecer, dessa maneira, é pensando e escrevendo o impensável ou que até se pensa, mas não se tem coragem de dizer e, muito menos, escrever. &lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;É certo que postular não ser Nietzsche um anti-religioso é um grande desafio, pois os sinais contrários são bem mais evidentes. Sua conhecida afirmação de que não há fatos morais mas apenas uma interpretação moral dos fatos &lt;em&gt;(Para além do bem e do mal, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;§108) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;–&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt; e, além disso, de que não há fatos, só interpretações –, ou que haja o bem ou o mal em si mesmos, Deus ou o diabo (&lt;em&gt;ib.&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;§37), permite que se&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt; reivindique uma total liberdade em questões geralmente tuteladas pelas religiões. Ao mesmo tempo, sua denúncia veemente do ascetismo e do ressentimento contra a vida que ele implica, em nenhum momento aponta para o ateísmo como uma solução, embora seja esse ascetismo patrocinada por religiões – mas não só por elas, como demonstra o estoicismo. Daí vem o seu desprezo pelo cristianismo - mas não por Cristo, como demonstra o seu livro, cujo título, que além de não ter sido definitivamente dado por ele, mas apenas cogitado, entre outros, é mal-traduzido entre nós por “O Anticristo”, quando Cristo, em alemão, é&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Christus&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;Christ &lt;/em&gt;é que é o(a) “cristã(o)”, sendo este o verdadeiro alvo da obra, que inocenta Cristo (tido como um ingênuo, alguém que não sabia sequer o que estava dizendo, como o “videota” do livro de Jerzy Kozinski e do filme, interpretado magnificamente por Peter Sellers): o único cristão verdadeiro (que morrreu na cruz). Entretanto, se do que necessitamos, acima de tudo, é de novas ficções, é preciso que se tenha fé, crença nelas, sendo do que se trata quando uma nova filosofia é postulada – tal como se nova religião fosse.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;Isso é o que teria feito Paulo, ao criar, propriamente, o cristianismo, como bem demonstra Nietzsche em diversas passagens de sua obra, publicada ou inédita, especialmente naquela totalmente dedicada ao tema, “O Anticristo”, o assunto é minuciosa e competentemente estudado pela pesquisadora argentina Laura Laiseca, mostrando “contra Nietzsche”, as distorções por ele praticadas na doutrina de São Paulo, o que não é de se estranhar, quando se está diante de um pensamento que desenvolve uma paródia caricatural, exagerando traços para produzir um retrato que, sem ser fidedigno, em seu exagero, enfatiza características, as&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;quais, de todo modo, se pode encontrar no original. É assim que Paulo, por sua conversão, vai aceitar e passar a&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;justificar o “escândalo” de Deus feito homem e morto como um reles escravo na cruz, transformando tal evento em um marco que divide a história da humanidade, e associando seu nome à “revelação” (&lt;em&gt;apocalipse&lt;/em&gt;) e “divulgação” da “boa nova” (&lt;em&gt;evangelios&lt;/em&gt;). Agora, aplicando a Nietzsche o seu próprio método genealógico e fisiológico, revelador das verdadeiras e ocultas intenções dos que propugnam tábuas de valores fixadas religiosamente, a partir da determinação de sua origem em impulsos ou, como em geral ele os denomina,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;“instintos”, oriundos da vontade de poder, torna-se plausível, verossímil – e verossimilhança é o máximo que se pode almejar, aceitando-se o postulado epistemológico ficcionalista nietzschiano – caracterizar como &lt;u&gt;religiosa&lt;/u&gt; esta pulsão fundamental em Nietzsche E isso, dentre outros motivos, pela tentativa de associar seu nome ao que seria um possível novo marco na história da humanidade, encerrada, conforme análises de autores da linhagem do cristianismo histórico, paulino, como Hegel, com o que nele já se apresenta como a morte de Deus, finalizando o período em que se vivia para o futuro, assim como antes do advento messiânico se vivia para o&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;passado, para iniciar-se o período em que se vive para e no eterno presente, pela experiência, de Nietzsche, do eterno retorno do mesmo. Para transmitir tal experiência, a qual teve, como é sabido, como uma iluminação, em Sils-Maria, nos Alpes suíços, Nietzsche escreve seu “Zaratustra”, “fala” através deste fundador de religião persa, ou seja, nem grego, nem judeu, e que seria, historicamente, o grande introdutor da associação entre moral e religião, ao vincular a separação que é própria do sagrado à distinção entre o que é bem do que é mal. A ele seria incumbida, então, na ficção – ou “tragédia” – nietzschiana, igualmente, a tarefa de superar tal dicotomia, interiorizada pelo cristianismo, a religião do Deus que se tornou humano, vindo a morrer em sacrifício pela salvação da humanidade, ou, na doutrina que se fez a respeito, daqueles que se reunissem pela crença na ressurreição de Deus feito humano, para assim também ressuscitar, uma forma extremamente engenhosa de, em um mesmo movimento, poder estender a bondade e a maldade a todo o gênero humano, ao contrário do que sempre se havia feito até então, onde bons são os membros da comunidade a que se pertence, e maus, os outros. &lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;§ 2&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Desde seus escritos juvenis, Nietzsche demonstra sua preocupação central com o tema da religião e, especialmente, com aquela em que foi educado, o cristianismo. Assim, em “Fatum und Geschichte” (&lt;em&gt;Fado e História&lt;/em&gt;), do princípio de 1862, ou seja, quando nosso A. estava ainda com 17 anos, vem mencionada, logo no início do texto, a necessidade de se buscar uma perspectiva imparcial e atualizada para estabelecer uma avaliação da religião e do cristianismo, reconhecendo, contudo, a dificuldade em superar preconceitos e hábitos desde há muito cultivados, o que requereria um longo tempo para a pesquisa e, mesmo, o amadurecimento do pesquisador, tendo em vista a necessidade de se confrontar com uma autoridade amparada por dois milênios de construções intelectuais das mais sofisticadas, donde uma tal tentativa ser anunciada como digna de um projeto para toda a vida – ao qual Nietzsche parece de fato ter se dedicado. Que nessa época Nietzsche já dispunha de intuições que serão desenvolvidas em sua filosofia posterior, demonstra uma passagem significativa deste texto, em que, após considerar a moral o resultado de um desenvolvimento universal da humanidade, “soma de todas as verdades para nosso mundo”, possivelmente sem nenhum outro significado no mundo eterno, do que ser este resultado de uma direção espiritual no nosso, ele pergunta “se a humanidade mesma não é apenas uma etapa, um período no todo, no devir, se não é uma manifestação arbitrária de Deus (sendo) o homem talvez apenas um animal&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;desenvolvido a partir da pedra por meio da planta”. E prossegue: “Teria aqui a perfeição sido atingida e não estaria envolvida aí também a história? Não terá nunca esse devir eterno um fim?” Em outro texto, um fragmento de abril do mesmo ano, intitulado “Über das Christenthum”, fica indicado o modo como Nietzsche pode ter chegado através do próprio cristianismo à sua concepção metafísica (e religiosa) imanentista, anti-transcendente, “terrena”, por voltada para a Terra – este ponto será aprofundado no próximo parágrafo -, quando escreve: “que&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Deus tenha se tornado homem apenas aponta para o fato de que o homem não deve buscar na eternidade a sua espiritualidade, mas sim fundar sobre a terra o seu paraíso; a ilusão de um mundo ultraterreno trouxe para o espírito humano uma postura falsa em relação ao mundo terreno: esta foi a criação da infância dos povos”. Já em texto anterior, datado de março de 1861, precisamente sobre esse tema, da “Infância dos Povos” (loc. ult cit.: 26), Nietzsche defendia na associação literária “Germania”, que havia fundado um ano antes com amigos de Naumberg – os quais, sintomaticamente, o chamavam pelo apelido de “o Padreco” -, ser a tarefa da religião cristã contribuir para que se acelere o processo de amadurecimento espiritual dos povos, sem, contudo, patrocinar&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;uma intromissão violenta e a cisão no desenvolvimento religioso de povos pagãos, uma vez que o fundamento principal do cristianismo é o amor, a ser levado a todos os povos, o mais rápido possível, para conduzi-los “aos braços da única igreja verdadeiramente espiritual”. Já por volta do final de 1865 e princípio de 1866, percebe-se já a presença da revolta, tão característica em Nietzsche, contra a classe sacerdotal, no texto denominado “Pensamentos sobre a Cristandade”, antecedido por outro, de 1865, denominado “Sobre a Vida de Jesus”, em que se debruça sobre as diferenças entre as doutrinas dos diversos evangelistas, destacando aquelas entre João e Paulo, que serão suas principais referências em trabalhos que virá a publicar na forma de livros, especialmente o antes mencionado “Anticristo”. Em “Pensamentos sobre a Cristandade”, já aparece a crítica à associação necessária entre a moralidade e a fé no único Deus verdadeiro, o que considera um erro horrível, de que resulta “uma barbárie quase ridícula”, como é considerado o envio de missionários para a conversão “dos miseráveis pagãos”, como são tidos os povos não cristãos. Essa confusão entre os conceitos de moralidade e o que chama de teísmo torna-se uma perigosa faca de dois gumes nas mãos dos sacerdotes, que terminam se tornando, em parte, vítimas também dessa confusão, quando deixam de pensar por si mesmos para se porem a serviço da igreja, perdendo assim a capacidade de fundamentar a moral de outro modo que não pela crença. Daí vão ter de tentar atingir por meio de ameaças e recompensas, o que não conseguem através de uma fundamentação filosófica. Então, terminam buscando apoio na revelação que se encontra em um livro de origem “sobre-humana” – aqui chama atenção o emprego de adjetivo derivado do substantivo que depois será central no pensamento de Nietzsche, a saber, o “Übermensch”, o “além do homem”. Caso se duvide da validade da demonstração com base no texto sagrado, continua Nietzsche, ou se será desprezado enquanto descrente, ou se fará remissão a uma filosofia da religião, que sempre prova o que se queria demonstrar, ou então, para acabar a dúvida, se pedirá ajuda ao Estado cristão, como eram em geral os de sua época, no Ocidente. Em resumo, escreve Nietzsche, “os sacerdotes cristãos padecem do mesmo fanatismo que todas os sacerdotes do mundo”. Eles são um empecilho para o progresso, no campo da religião, pois sempre pregarão ser a sua própria a única correta e que se basta a si mesma.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Isso porque, se não fora por eles e seus similares, como os ideólogos de todo gênero, se teria a transmutação para além do “humano, demasiado humano”, pelo cultivo em si de um sentimento divino, de, literalmente, entusiasmo, dionisíaco, pois dionisíaca é a divindade que brinca, qual uma criança, inocente como teria sido Adão, Jesus de Nazaré, o Buda &lt;em&gt;maytrea &lt;/em&gt;(sorridente), a um só tempo destruidora e criativa, destruidora para ser criativa, como já Heráclito de Éfesos percebera, amando se ocultar com as máscaras da encenação teatral ou da comemoração carnavalesca, em que dança o “deus desconhecido”, encoberto, ausente, tragicamente morto, perdido, a retornar eternamente, eternamente a retornar, como D. Sebastião, na tradição nostálgico-messiânica luso-brasileira, &lt;em&gt;deus absconditus&lt;/em&gt;, a quem Nietzsche dedicou os seguintes versos, aos dezenove anos:&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Ao Deus desconhecido.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Mais uma vez antes que eu me lance adiante&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;E envie meu olhar para frente,&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Levanto solitário minhas mãos&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Em tua direção, para quem eu fujo,&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;A quem eu no mais profundo fundo do coração&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Reverencio festivamente em altares,&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Onde para sempre&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Tua voz novamente me convocará.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Ali queima de entusiasmo profundamente inscrita&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;A palavra: ao Deus desconhecido.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Seu eu sou, se na vermelhidão sacrílega&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Também até à última hora permaneci:&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Seu eu sou – e sinto o laço da armadilha,&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Que na luta me puxa para baixo&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;E, mesmo que eu fuja&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Ainda assim me forçará a servi-lo.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 11pt; font-family: Arial&quot;&gt;No original: &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 11pt; font-family: Arial&quot;&gt;D e m&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;u n b e k a n n t e n&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;G o t t. Noch einmal eh ich weiter ziehe/ Und meine Blicke vowärts sende,/ Heb’ ich vereinsamt meine Hände/ Zu dir empor, zu dem ich fliehe,/ Dem ich in tiefster Herzenstiefe/ Altäre feierlich geweiht,/ Dass allezeit/ Mich deine Stimme wieder riefe.//&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Darauf erglüht tiefeingeschrieben/ Das wort: dem unbekannten Gotte./ Sein bin ich, ob ich in der Frevler Rotte/ Auch bis zur Stunde bin geblieben:/ Sein bin ich – und ich fühl’ die Schlingen,/ Die mich im Kampf darniederziehn/ Und, mag ich fliehn,/ Mich doch zu seinem Dienste zwingen.// &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 11pt; font-family: Arial&quot;&gt;Ich will dich kennen, Unbekannter,/ Du tief in meine Seele Greifender,/ Mein Leben wie ein Sturm Durchschweifender,/ Du Unfassbarer, mir Verwandter!/ Ich will dich kennen, selbst dir dienen.&lt;/span&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;br /&gt;</description>
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		<title>A RELIGIÃO EM NIETZSCHE – PARTE II</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-02T15:59:31Z</pubDate>
		<description>&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;§ 4º.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Mais do que os indivíduos, os quais precisam se tornar conscientes de que são vontade de poder (criar, eu diria, e não, subjugar, retendo assim a expansão dela), quem precisa de fé e de um deus para ser o seu destinatário são os povos, podendo mesmo se dizer, dentro do espírito nietzscheano, com apoio em Heidegger&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;- em &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;Beiträge zur Philosophie (Vom Ereignis)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;, Gesamtausgabe, vol. 65, Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann, 1989, p. 405, &lt;em&gt;passim&lt;/em&gt;. -&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;, que são os deuses que criam os povos. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;como diria o pensador dinamarquês, em sua obra clássica sobre o conceito de angústia (&lt;em&gt;Angst&lt;/em&gt;), a realidade, antes de tudo, é por nós experimentada&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;- aperceptivamente, diria Kant ou pré-predicativamente, diria Husserl – como um possível ser, que se toma como real porque nele se crê. A crença no mundo, em um certo mundo, portanto, é um &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt; para o conhecermos, e também para transformá-lo, o que não se pode obter sem antes - ainda que aperceptivamente -, interpretá-lo (ao contrário do que sugere Marx, em sua conhecida tese contra Feuerbach). Portanto, a transformação almejada, seja qual for, é resultado de uma prática orientada teoricamente, &lt;em&gt;i. e&lt;/em&gt;., de um saber prático, sim, mas produtivo, logo, “poiético” -, e não de uma ação enquanto mera &lt;em&gt;práxis&lt;/em&gt; ou de uma “téc(h)n[(ét)ica]”, reprodutiva. &lt;em&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Um saber prático pode ser caracterizado como aquele que indica como algo pode ser feito, uma vez que se decidiu (ética, política e/ou juridicamente) fazê-lo, e como fazê-lo.&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;           &lt;/span&gt;A teologia foi considerada um tal saber prático por John Duns Scot (1266 – 1308) - cf., v.g., o “Prólogo” da &lt;em&gt;Ordinatio&lt;/em&gt;, quinta (e última) Parte. Também como ele, pode-se defender que do Ser de Deus, o criador, ser-em-si, deve-se falar como do ser dos entes, as criaturas, em um sentido unívoco e não, por exemplo, como em Tomás de Aquino, em sentido análogo, tal como demonstrou seu sucessor na cátedra dominicana de Paris, o místico Mestre Eckhart, que também tanta influência teve em Heidegger, com sua afirmação da absoluta diferença (ontológica), estranheza, do Ser&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;- logo, também de Deus, que é enquanto ser, e não enquanto ente, ainda que supremo, e maximamente superior, donde podermos dizer que Ele, ao contrário de nós, não e(ks)iste - cf. Martin Heidegger, &lt;em&gt;Metafísica de Aristóteles IX, 1-3&lt;/em&gt;, trad.: E. P. Giachini, São Paulo: Vozes, 2007, p. 52 -, pois como já afirmavam os medievais, na esteira de Duns Scot, n’Ele coincidem a essência e a existência.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Daí não ser nenhuma surpresa a afinidade heideggeriana de estudiosos do gnosticismo, como Henry Courbin, o primeiro tradutor de Heidegger na França, seu aluno Hans Jonas e, recentemente Peter Sloterdejk. Como para Heidegger, também para os gnósticos cristãos dos primeiros séculos (e de hoje, como os jessênicos), estando o homem “estranhado” de sua origem divina em um corpo e um mundo criados pelo demiurgo, divindade inferior e invejosa do Deus verdadeiro e supremo – note-se aí um outro traço heideggeriano, na concepção de uma pluralidade de deidades -, não procede a definição corrente de que se trata de um animal, ainda que racional. Isso mesmo que em Heidegger, como em um seu coetâneo com tantas afinidades, como o espanhol injustamente menosprezado Ortega y Gasset, não se suscite uma origem divina do humano, nem tampouco meramente natural, dada a distância do ser formador de mundo em relação ao que dele são desprovidos ou pobres – cf. Martin Heidegger, &lt;em&gt;Os Conceitos Fundamentais da Metafísica: mundo, finitude, solidão,&lt;/em&gt; trad.: Marco Antônio Casanova, Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003, 2&lt;sup&gt;a&lt;/sup&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; font-family: Arial&quot;&gt;Parte, 2&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt;. cap., §§ 43 ss., p. 204 ss.; Antonio Regalado García, &lt;em&gt;El laberinto de la razón:&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Ortega y Heidegger&lt;/em&gt;, Madrid: Alianza, 1990, p. 288 ss.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; font-family: Arial&quot;&gt;Ainda sobre o papel na elaboração do pensamento heideggeriano da estranheza-familiar, o &lt;em&gt;Unheimlich&lt;/em&gt;, o qual Heidegger encontraria antes em Hölderlin que em Freud, v. Ernildo Stein, &lt;em&gt;Introdução ao Pensamento de Martin Heidegger&lt;/em&gt;, Porto Alegre:&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Ithaca, 1966, p. 100 s&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Do que se trata, então, é de dar ensejo a uma recuperação de um saber apto a fornecer uma orientação, ou re-orientação, na busca de sentido para as ações humanas, nas condições adversas da atualidade. Cabe a todos assumir uma parte de tal tarefa, de proporções gigantesca, percebendo o quanto é urgente e necessária e, se é assim, há de ser também possível dela nos desincumbirmos. O que se propôs foi uma mera indicação neste sentido, na esperança de pelo menos estimular outros a fazerem sua própria colaboração. Penso que assim teremos a possibilidade de invocar e, com isso, (re)criar o(s) Deus(es) protetor(es) da Cidade planetária, ameaçada e ameaçadora, a fim de nos salvar{[e(m]os)}.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Como se pode ler no “Anticristo” (&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;§16)&lt;/span&gt;, “um povo que ainda crê em si cultiva o seu próprio Deus. N´Ele ele reverencia as condições que o permitiram prevalecer, suas virtudes: seus projetos, os seus prares em si mesmos, seus sentimentos de poder, em um ser a quem se pode dar graças... Sob tais condições, a religião é uma forma de agradecimento”. A saúde e crescimento de um povo estão ligados às suas crenças, pois os fortes têm fé, enquanto os fracos não têm nada.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;           &lt;/span&gt;É certo que Nietsche não aceita qualquer religião, pois algumas, como é o caso típico do cristianismo, são indesejáveis, na medida em que justifica e glorifica a fraqueza. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; font-family: Arial&quot;&gt;Neste ponto, novamente, é coincidente o parecer de Heidegger, quando prenuncia a necessidade de que se tenha um “último Deus”, mas que seja totalmente diferente de todos os que já houveram, e em especial, aquele cristão: “Der letzte Gott – der ganz Andere gegen die Gewesen, zumal gegen den christlichen”. &lt;em&gt;Ib.&lt;/em&gt;, p. 403.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Ele viria a propiciar o que Heidegger chamou, em sua entrevista-testamento para &lt;em&gt;Der Spiegel,&lt;/em&gt; de 23 de setembro de 1966, a disposição para que (nos) apareça um Deus que possa nos salvar ou, pelo menos, se revele em nossa decadência fatal e em Sua ausência com algum aceno (&lt;em&gt;Wink&lt;/em&gt;) este último Deus.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;E com isso talvez aprendamos como deveríamos ter vivido, ainda que tardiamente, já à beira da extinção - a exemplo de Édipo (v. &lt;em&gt;Édipo em Colon, &lt;/em&gt;&lt;strong&gt;in fine&lt;/strong&gt;) e sua filha-irmã Antígona, que na morte encontram uma nova experiência da divindade, tal como Hölderlin propôs, a respeito desta última, interpretação que tanto impressionara a Heidegger. A conhecida passagem da entrevista citada, aqui parafraseada (e interpretada), é a seguinte: “Nur noch ein Gott kann uns retten. Die einzige Möglichkeit einer Rettung sehe ich darin, im Denken und im Dichten eine Betreitschaft vorzubereiten für die Erscheinung des Gottes oder die Abwesenheit des Gottes im Untergang; dass wir nicht, grob gesagt, `verrecken’, sondern wenn wir untergehen, im Angesichts des abwesende Gottes untergehen”. Importante para minha compreensão da passagem e outras que a ela se seguem, com ela correlatas, foi o trabalho de Otto Pöggeler, “&lt;em&gt;Does the saving power also grow?&lt;/em&gt;”, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;in&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;Critical Heidegger&lt;/em&gt;, Christopher Macann (ed.), Londres/Nova York: Routledge, 1996, p. 206 ss., esp. 210 s. Digno de nota é ainda uma outra possibilidade de tradução, mais coloquial, para a frase “Nur noch ein Gott kann uns retten”:&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;“Só mais um (novo) Deus pode nos dar salvamento (no sentido de prestar socorro)”. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Antes do advento do cristianismo, para Nietzsche, os deuses representavam o que há de mais poderoso, agressivo e sedento por mais poder dos povos, quando então passou a ser meramente um Deus bonzinho. Neste sentido, pode-se dizer que o ataque de Nietzsche ao cristianismo se dá pela reivindicação de outra religião e outro deus, que melhor atendam aos reclamos da natureza e do povo, o qual precisaria de um tipo de líder como “um César romano com uma alma de Cristo”.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;A deficiência da cristandade, para Nietzsche, se torna de todo evidente quando ela é comparada com o Islam. Este último estaria certo em desprezar a primeira, pois, ao contrário dela, requer que se seja homem, macho, forte (O Anticristo”,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;A 59).&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Não por acaso ela nos suprimiu o melhor da cultura greco-romana, bem como da maravilhosa cultura moura na península ibérica, ainda mais próxima do que é requerido pelos nobres instintos&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;masculinos do que aquela, tanto que era mais refinada em suas práticas luxuriosas (&lt;em&gt;ib. &lt;/em&gt;60). O problema com o islamismo, que leva a descartá-lo como a (mais) nova religião a nós necessária, é ser ele também um monoteismo voltado para o outro mundo. Melhor estaríamos, então, adotando alguma forma de gnosticismo, com seu Deus alheio ao que ocorre neste mundo, obra mal-feita de um demiurgo&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;invejoso e suas hostes de degredados, pois as religiões que colocam seus deuses como infinitamente interessados (e, até, de certo modo, necessitados, o que é um absurdo) da prática de atos virtuosos pelos homens são reforçadas por aquela invenção dos filósofos (e teólogos) moralistas, o livre arbítrio, a vontade soberana dos indivíduos, na escolha entre o bem e o mal, tornando os mais primitivas impulsos humanos algo possível e, mesmo, necessário de se negar – &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;cf. Nietzsche, &lt;em&gt;Genealogia da Moral&lt;/em&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;2.7.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Neste contexto é que se entende melhor o elogio que Nietzsche faz da força e nobreza dos romanos, em contraste com o “ressentiment par excellence” dos judeus, bem como a admiração ainda maior pelos gregos, capazes de enfrentar o aspecto trágico&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;da existência com gratidão e alegria – isso até a disposição da ralé predominar, sob a influência de Sócrates, preparando o caminho para a posterior vitória do cristinanismo (&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;Id., Para além do bem e do mal&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;, 49)&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;E é sob o pano de fundo dessa busca por uma religião que melhor atenda às necessidades naturais e culturais de um povo, que afirma a vida incondicionalmente, fortalecendo sua disposição para enfrentá-la, sem se deixar abater por seus aspectos mais tenebrosos, que se pode entender também a superioridade que Nietzsche indica do Velho sobre o Novo Testamento. Neste “livro da justiça divina” aparecem homens, falas e coisas tão grandiosas que não têm paralelo em qualquer outro da literatura helênica ou védica. É com terror e reverência que nos pomos diante destes registros remanescentes do que uma vez a humanidade foi, antes de se tornar o animal doméstico que viria a ser, sob a influência, principalmente, do cristianismo – que ele tenha aduzido o seu “Novo Testamento” ao “Velho”, formando assim um só livro, a Bíblia, O livro, é tido por Nietzsche como o maior pecado que pesa sobre a consciência européia (&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;cf. &lt;em&gt;Id. ib.&lt;/em&gt;, 188)&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;A diferença entre os dois “Testamentos”, segundo Nietzsche, é que no antigo se encontra seres humanos heróicos, com a ingenuidade (naïveté) que lhes é própria, algo muito raro de se encontrar, e, mais que isso, ali ele encontra o que considera um povo. E assim sendo, o Novo Testamento fez um grande desserviço para a tradição religiosa e de crença que o precedeu (c&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;f. &lt;em&gt;Id. ib.&lt;/em&gt;, 3.23)&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Assim, percebe-se porque, no entendimento de nosso A., algumas religiões podem ser utilizadas para o ensino da liderança. Ele anota que é possível para alguns membros das “classes ascendentes”, alcançar, assim, os patamares da mais alta espiritualidade. E para isso, o ascetismo e o puritanismo são úteis – sobretudo o ascetismo é útil para a filosofia, mas não para filosofar. Ao mesmo tempo, quando aplicado a algumas pessoas, não a todas, ele se mostra não apenas tolerável, mas indispensável para o avanço de um povo, considerando a dificuldade que a maioria das pessoas têm para obedecer a regras (c&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;f. &lt;em&gt;Id. ib&lt;/em&gt;, 61)&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Em suma, a religião mostra-se superior à moralidade moderna sob três aspectos, a saber, (1) o de instruir, por meio da obediência a regras rígidas, as classes superiores, que por sua vez (2) irá elaborar as regras futuras e (3) para ameaçar e punir os que não se submetam às regras. É para este último aspecto, e tão-somente para ele, que o cristianismo se mostra de algum valor e, mesmo assim, outras religiões serriam ainda melhores para tal finalidade, como o budismo. Isso porque a filosofia, em geral, não se adequa às massas, que preferem, a ela, a santidade oferecida pelas religiões (cf. &lt;em&gt;Humano, Demasiado Humano&lt;/em&gt;, 115), o “platonismo para o povo”, como ele certa feita caracterizou o cristianismo, com a negação que ambos fizeram do corporal e natural ao ser humano, assim causando o maior mal que já se praticou à humanidade (&lt;em&gt;Crepúsculo dos ídolos&lt;/em&gt;, 48). As pessoas em geral não estão interessada na verdade, mas em uma cura (cf. &lt;em&gt;Aurora&lt;/em&gt;, 424), a cura do mal de viverem fragilizadas, o que não podiam oferecer os deuses gregos, deuses fortes para os fortes, que preferiam a morte gloriosa do que a duração de uma vida sem o sentido da grandeza.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Os gregos antigos também tinham uma concepção diferente do papel da religião. Para Nietzsche, eles não consideravam seus deuses, como os judeus, acima deles como para submetê-los, mas sim como ideais a serem cultivados e modelos a serem seguidos, inclusive em sua organização social estamental – portanto, nada antitéticos a eles (&lt;em&gt;Humano, Demasiado Humano&lt;/em&gt;, 114). E é no estado de êxtase dionisíaco que Nietzsche vai apreender a manifestação mais clara da vontade de poder, enquanto vontade de (poder) viver (criativamente) – cf. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;Crepúsculo dos ídolos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;, 4 -,&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt; mais valorizada do que a vontade de verdade, que em nosso tempo, na conhecida análise heideggeriana de Nietzsche, vai se tornar uma vazia (niilista) “vontade de vontade”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Em “O Nascimento da Tragédia”, como é bem conhecido, Nietzsche opõe a vontade de poder dionisíaca ao princípio apolíneo de ordem, beleza e comedimento, relacionado ao deus-sol, helênico, em tudo oposto ao excesso extático do deus da tragédia e do vinho, asiático. A relação entre ambos não é antitética e, sim, de complementariedade, formando, em seu conjunto, o poderoso impulso artístico, existente na Grécia Antiga, como uma força emanada da natureza, tal como então era entendida, enquanto realidade primordial subjacente às aparências – e se essa aparência era apolínea, o cosmos ordenado, a realidade última era dionisíaca, caótica, avassaladora. Dionisíaco é o reconhecimento e plena aceitação de que há união entre vida e morte, prazer e sofrimento; apolínea é a continência que permite a liberdade pelo respeito às leis (cf. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;O nascimento da Tragédia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;, 2) as leis eternas que garantiram o desdobrar-se proporcional das duas forças (cf. &lt;em&gt;Id. ib&lt;/em&gt;., 25), até o desequilíbrio causado pelo predomínio do apolíneo desde que se impôs o platonismo – em que o sol representa a verdade e o bem supremo, tal como se vê na célebre “Alegoria da Caverna”, no Livro VI de “A República” - chegando até à modernidade pela via do “monótono-teismo” cristão (&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;O Anticristo, 19)&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;É certo que há de se distinguir, pelo menos, duas “vias”, na história do pensamento teológico-filosófico cristão, pois já na Baixa Idade Média, de uma &lt;em&gt;via antiqua&lt;/em&gt; se distinguia a &lt;em&gt;via moderna&lt;/em&gt;,que, grosso modo, será consagrada pela denominação, muito genérica, de “nominalismo”, à qual se associa nomes como, além do já referido John Duns Scot, Guilherme de Ockham (aprox. 1280 – 1347). Uma rápida apresentação de aspectos essenciais do pensamento deste último, desenvolvendo pressupostos teológicos lançados por Scot e antecessores, da ordem franciscana, por si só, evidenciará a correção de suspeitas levantadas já na Nietzsche-Forschung, de que nosso A. encontra-se em débito maior com esta corrente, digamos, marginal do pensamento oficial cristão – sobretudo, católico, posto que é, reconhecidamente, uma das fontes principais do protestantismo luterano -, do que ele próprio esteve disposto a admitir ou, mesmo, reconhecer.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;O pensamento de Ockham orienta-se por três princípios fundamentais: o princípio da onipotência divina, o princípio da não-contradição e o princípio da economia. O primeiro desses princípios, naturalmente, vale apenas para a divindade: Deus é absolutamente livre para fazer o que bem entender – exceto o que for contraditório com o que já tenha feito ou criado anteriormente. Então, o segundo princípio enunciado vincula a própria divindade e, com mais razão ainda, haverá de vincular a humanidade. Já o terceiro princípio, o qual se refere à chamada “navalha de Ockham”, deve ser obedecido apenas por nós, a fim de evitarmos criar conceitos desnecessários para conhecermos a realidade: a Divindade, que é livre para criar tanto os conceitos como a própria realidade a que se referem, sempre poderá multiplicá-los e reinventá-la a seu bel-prazer. &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Pelo princípio da onipotência divina, tudo provém de Deus, até o que para nós, por uma deficiência nossa, é mal e pecado, pois Ele, ao contrário de nós, não é devedor de ninguém – &lt;em&gt;nullius est debitor&lt;/em&gt;: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;A não ser que Ele mesmo se comprometa com alguém&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline; font-family: Arial&quot;&gt;. Em sendo assim, Ele não peca, por não estar obrigado em relação a ninguém a fazer o que é bom e não é pecado - &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;Cf. Ockham, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;Quodlibeta&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;, III, q. III, &lt;em&gt;in&lt;/em&gt; Coleção &lt;em&gt;Os Pensadores&lt;/em&gt;, Vol.: “Tomás de Aquino, Dante, Duns Scot, Ockham”, São Paulo: Abril Cultural, 2&lt;sup&gt;ª&lt;/sup&gt; ed., 1979, p. 403. &lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline&quot;&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;vertical-align: baseline&quot;&gt; rigor, portanto, Deus nem é moralmente bom nem mal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeRodap&quot;&gt; Nada mais parecido do que este Deus e o “super-homem” nietzscheano...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeRodap&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Então, com tanto tempo de predomínio do apolíneo, o futuro só pode pertencer a Dioniso, sendo ele o deus da religião por vir, do que veio a se chamar de “pós-modernidade”. E, de fato, um analista social que adota esta categoria, destaca em suas obras que vivemos já sob o signo de Dioniso - &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;trata-se de Michel Maffesoli, sociólogo francês, bastando referir uma de suas obras que sequer pertence às mais recentes para comprovar, pelo simples título, quanto se vem de afirmar: &lt;em&gt;À sombra de Dioniso. Por uma sociologia da orgia.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeRodap&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeRodap&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Ocorre que, para Nietzsche, se considerarmos seu pensamento, apesar de todas as modulações que atravessa, como fundamentalmente uno, ao que parece, o que nosso tempo, culturalmente doente, demandaria seria mesmo mais da ordem da religião, enquanto filosofia prática, do que de filosofia teorética, pois esta última é avaliada, em um escrito praticamente juvenil (&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;A filosofia na época trágica dos gregos, principio&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;.)&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeRodap&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;, como adequada somente aos tempos de cultura saudável, como o dos gregos pré-socráticos (ou, mais precisamente, pré-platônico-aristotélicos), sendo o melhor que ela pode fazer, em uma época decadente como a nossa, é ajudá-la a decair, decaindo – o que nos lembra a famosa passagem no prefácio da “Dialética Negativa”, de Adorno: “Filosofia, que uma vez pareceu estar superada (no sentido de ultrapassada – WSGF), permanece viva, porque o momento de sua realização se perdeu”. (…) “Tal pensamento (o da dialética negativa, bem entendido – WSGF) é solidário com a Metafísica no momento de seu colapso”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Tanto é assim, que aos sucessores dos gregos no projeto imperial alexandrino, com muito mais sucesso, os romanos, não se fez necessário, em termos de filosofia, muito mais do que um ecletismo daquilo que antes produziram os gregos, sendo sua estrutura de poder, jurídico-administrativa, apoiada em sua religião, uma “filosofia da ação”,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;até o momento que sua decadência, por falta de desafios que impulsionassem a expansão continuada do poder, fez com que adotassem a religião que anunciava o fim dos tempos, mais em um futuro incerto e indefinido: o cristianismo – e aqui estamos, até hoje, com um sumo pontífice romano, a ditar preceitos morais a milhões de ovelhas do seu rebanho, de último, inclusive, cada vez mais absurdos, como a proibição do uso de preservativos e das relações homossexuais, práticas tidas como antinaturais e avessas ao plano da Criação divina.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;           &lt;/span&gt;Nos romanos, Nietzsche saúda a grandeza de dizer “Sim” para todas as coisas, o que se torna ainda mais visível no Império, “o grande estilo não mais (apenas) como arte (o que, podemos deduzir, teria ocorrido entre os gregos), mas que se torna realidade, verdade, vida”. “O Anticristo”, §59. É esse dizer “Sim” a tudo, passado e presente, que melhor caracterizaria, segundo Nietzsche, a si e ao seu Zarathustra – cf. &lt;em&gt;Ecce homo&lt;/em&gt;, §8. Aqui, para nosso A., os gregos tiveram a precedência, com sua noção de eterno retorno – e, logo, permanência – da vida, apesar de toda mudança aparente, vencida pelo processo vital contínuo de procriação, “pelos mistérios da sexualidade” - Crepúsculo dos ídolos, §4. Já em O nascimento da tragédia, §§16s., aparece esta apreciação do eterno como característica da arte dionisíaca da tragédia, quando o herói é negado e destruído para nosso deleite, mostrando que com isso não é afetado o ciclo vital eterno, pois a beleza triunfa sobre a dor inerente à vida, escamoteando-a, para que a suportemos, enquanto indivíduos, em nome da mudança permanente que sempre traz mais vida, a essência de tudo enquanto vontade, vontade de viver, que perdura mesmo após a morte se manifestar, aparecer, fenomenicamente. Daí a admiração que Nietzsche expressa pela religiosidade&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;dos gregos com a abundância de gratitude (logo, de religiosidade propriamente dita, conforme vimos) no confronto com a vida e a natureza, mesmo em seus aspectos mais terríveis – cf. Para além do bem e do mal, §49. &lt;/span&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Note-se, portanto, que não se trata de uma afirmação de si nem da recusa a toda e qualquer moralidade, mas sim, de uma afirmação da vida que em nós se manifesta – ou, melhor, que nos manifesta -, a qual seria modelada pelas religiões ao ponto de justificá-la para além de si mesma, freqüentemente negando-a com suas proibições, quando ela mesma já seria digna até mesmo de seu sacrifício, se está for a vontade de quem a possui – ou, melhor, é por ela(s) possuído (a&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;qui, tenha-se presente as observações feitas em &lt;em&gt;A gaia ciência&lt;/em&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;§§304 e 353).&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Dioniso é o deus da transformação, da transmutação, do devir, e nisso se opõe predominância do ser, à fascinação pela permanência, que desde Platão exerce sua influência nefasta sobre a cultura que a partir de então se forma, aquela ocidental, cuja culminância se dá na modernidade – mas que até o presente se mostra ainda em plena vigência, como se verifica pela negação da velhice e da morte e, portanto, da própria vida, em sua plenitude, na atualidade. A idéia de ser, de sermos causados por Deus, a Natureza, as Formas ou seja lá o que for que produza a ordem universal, onde temos um destino individual a cumprir, compromete a inocência do devir, aprisiona a vontade em seu livre e permanente desenvolvimento, onde tornamo-nos sempre outro, até voltarmos a ser, novamente, o que já fomos, pelo eterno retorno, no que a idéia de um ser, fixo, em um mundo em constante mutação, pode ao máximo expressar-se - cf., v.g., &lt;em&gt;Humano, demasiado humano&lt;/em&gt;, §22; &lt;em&gt;Gaia ciência&lt;/em&gt;, §340 e, antes, &lt;em&gt;A filosofia na época trágica dos gregos&lt;/em&gt;, §9, em que Heráclito é saudado como o primeiro a perceber que a mudança permanente, em si, não é boa nem má ou injusta, pois é a causa de uma ordem superior, maravilhosa, um mundo perfeito, ao qual só nos cabe dizer “Sim” - &lt;em&gt;O Anticristo&lt;/em&gt;, §57. E assim, atinge-se o ápice da reflexão filosófica (e religiosa), em termos dionisíacos, ao estabelecer-se uma relação com a existência na qual ela é amada incondicionalmente: &lt;em&gt;amor fati&lt;/em&gt; é a “fórmula” com que Nietzsche caracteriza um tal estado – cf. &lt;em&gt;Humano, demasiado humano&lt;/em&gt;, §10; &lt;em&gt;Gaia ciência&lt;/em&gt;, §276; &lt;em&gt;O caso Wagner&lt;/em&gt;, §4; &lt;em&gt;Nietzsche Contra Wagner&lt;/em&gt;, “Epílogo.”.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;A religião de Nietzsche, então, vai se apresentar como uma religião sem igrejas, sem sacerdotes – para ele, a mais abominável forma de vida -, sem uma vida no além e, mesmo, sem necessidade de divindades, embora elas possa ser reverenciadas e amadas pelo que nelas se manifesta de seus criadores, que as fazem a sua imagem e semelhança – numa inversão perfeita do Livro do Gênese: nós humanos (&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;Para além do bem e do mal, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;60&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h2 style=&quot;margin: 12pt 0cm 6pt; vertical-align: baseline; text-align: center; punctuation-wrap: simple; tab-stops: 0cm&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal; font-size: 12pt&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;font face=&quot;Arial&quot;&gt;Heráclito-nietzscheana&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Só a impermanência é duradoura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;o perecimento é eterno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;o ser não há de ser nada de ser nada de ser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;o si é outro de ser si mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;bem e mal alternando-se e invertendo-se incesssante-mente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;o amor é ausência de dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;a dor é a cor a bordo de auréolas flamejantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;E só.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;P.S.: Um po(p)ema que (se) justifique um dia ou toda uma vida.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class=&quot;CaracteresdeNotadeFim&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 11pt; font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;br /&gt;</description>
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		<title>Jogo do Poder</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-08T15:11:00Z</pubDate>
		<description>&lt;!--&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal&lt;br /&gt;{mso-style-parent:&amp;quot;&amp;quot;;&lt;br /&gt;margin:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;}&lt;br /&gt;p.MsoBodyText, li.MsoBodyText, div.MsoBodyText&lt;br /&gt;{margin-top:0cm;&lt;br /&gt;margin-right:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:6.0pt;&lt;br /&gt;margin-left:0cm;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;}&lt;br /&gt;@page Section1&lt;br /&gt;{size:612.0pt 792.0pt;&lt;br /&gt;margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;&lt;br /&gt;mso-header-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-footer-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-paper-source:0;}&lt;br /&gt;div.Section1&lt;br /&gt;{page:Section1;}&lt;br /&gt;--&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;Anteontem, primeiro dia deste 2009, tomaram posse os novos prefeitos e vereadores por todo o País. Chamou-me atenção, dentre todos os noticiados, o ocorrido em Belo Horizonte, capital das Minas Gerais, onde o Presidente da Câmara, eleito por unanimidade, deu posse ao novo prefeito, um seu vizinho de cela nos porões da ditadura. E aqui, na minha Cidade, onde me encontro de férias, tive a grata satisfação de ver um meu ex-aluno de pós-graduação, (Walfrido) Salmito Filho, pessoa da mais alta qualificação, moral e intelectual, assumir a presidência da Câmara Municipal, e dar posse, para o seu segundo mandato, a uma contrariada prefeita, de quem lembro também raivosa nos seus tempos de política estudantil. E se naqueles tempos o ódio se voltava contra a opressão política, ao que parece, agora, ele se devia à ineficácia de seu poder opressor, pois havia unido forças ao governador do estado para eleger um presidente do partido deste último, e não do seu, que é o do atual presidente. Vejam só: nossa prefeita quis ter sucesso do modo que, em sua primeira eleição, seus opositores não obtiveram. Sim, ela era a candidata oficial do partido, sem contar com apoio do todo-poderoso e muito popular Presidente da República, do mesmo partido, que apoiava abertamente seu principal opositor, assim como as demais lideranças mais populares do estado. É, ao que parece, desse ponto de vista, a Câmara Municipal de Fortaleza é bem representativa de seus Munícipes, em sua rebeldia a imposições injustas -&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;ou, pelo menos, injustificadas – por parte de detentores do poder. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;#160;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal&lt;br /&gt;{mso-style-parent:&amp;quot;&amp;quot;;&lt;br /&gt;margin:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;}&lt;br /&gt;p.MsoBodyText, li.MsoBodyText, div.MsoBodyText&lt;br /&gt;{margin-top:0cm;&lt;br /&gt;margin-right:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:6.0pt;&lt;br /&gt;margin-left:0cm;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;}&lt;br /&gt;@page Section1&lt;br /&gt;{size:595.25pt 841.85pt;&lt;br /&gt;margin:2.0cm 2.0cm 2.0cm 2.0cm;&lt;br /&gt;mso-header-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-footer-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-paper-source:0;}&lt;br /&gt;div.Section1&lt;br /&gt;{page:Section1;&lt;br /&gt;mso-footnote-position:beneath-text;}&lt;br /&gt;--&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;P.S.: nos dias que se seguiram, presenciamos nossa prefeita inconformada com sua derrota, fazendo acusações infundadas e ressentidas, agindo assim com menos &lt;em&gt;fair play &lt;/em&gt;do que tiveram os que hoje a apóiam, quando por ela foram derrotados – arroubos finais de juventude. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
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		<title>Reforma ortográfica</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-08T15:14:36Z</pubDate>
		<description>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BreakWrappedTables/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:SnapToGridInCell/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--&lt;br /&gt;/* Font Definitions */&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:Tahoma;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:0;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:1627421319 -2147483648 8 0 66047 0;}&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:&quot;Lucida Sans Unicode&quot;;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 2 3 5 4 2 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:0;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:-2147476737 14699 0 0 63 0;}&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal&lt;br /&gt;{mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;margin:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&quot;Lucida Sans Unicode&quot;;}&lt;br /&gt;p.MsoBodyText, li.MsoBodyText, div.MsoBodyText&lt;br /&gt;{margin-top:0cm;&lt;br /&gt;margin-right:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:6.0pt;&lt;br /&gt;margin-left:0cm;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&quot;Lucida Sans Unicode&quot;;}&lt;br /&gt;@page Section1&lt;br /&gt;{size:612.0pt 792.0pt;&lt;br /&gt;margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;&lt;br /&gt;mso-header-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-footer-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-paper-source:0;}&lt;br /&gt;div.Section1&lt;br /&gt;{page:Section1;}&lt;br /&gt;--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt;&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;table.MsoNormalTable&lt;br /&gt;{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;;&lt;br /&gt;mso-tstyle-rowband-size:0;&lt;br /&gt;mso-tstyle-colband-size:0;&lt;br /&gt;mso-style-noshow:yes;&lt;br /&gt;mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;&lt;br /&gt;mso-para-margin:0cm;&lt;br /&gt;mso-para-margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:widow-orphan;&lt;br /&gt;font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;}&lt;br /&gt;&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;No primeiro dia deste 2009, entrou em vigor – apenas no Brasil, note-se&lt;br /&gt;bem -&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;o Acordo, longa e acirradamente&lt;br /&gt;discutido, para reforma ortográfica de nossa língua portuguesa, quer dizer, a&lt;br /&gt;nossa, a dos portugueses, a dos angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos (?),&lt;br /&gt;timorenses do leste e quem sabe mais quantos que a amam e, portanto, nela&lt;br /&gt;também vivem – ou vice-versa. Felizmente, há uma longa &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span&gt;vacatio legis&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span&gt;, até que estejamos todos a ela obrigados,&lt;br /&gt;legalmente, o que só ocorrerá em 2012. Não me convencem os argumentos de que&lt;br /&gt;teríamos necessariamente que unificar nossa ortografia – ainda bem que a&lt;br /&gt;ninguém ocorreu (ainda?) a idéia de unificarmos também as pronúncias, falares e&lt;br /&gt;linguajares que proliferam, já em nosso imenso Brasil, e ainda mais, pelo menos&lt;br /&gt;em suas diferenças, na origem, mais antiga, o Portugal. Que importa tenham já&lt;br /&gt;todas as outras principais “línguas de cultura” sua ortografia de há&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;muito uniformizada? A meu ver, isso apenas&lt;br /&gt;demonstra o quanto e há quanto tempo se acham submetidos a um poder&lt;br /&gt;centralizador e despótico, ao “facismo da língua”, de que nos fala Barthes em&lt;br /&gt;sua aula inaugural no Collége de France. Em termos práticos, não me consta que&lt;br /&gt;o único nobelado (ou nobelizado) de nossa língua, José Saramago, tenha sofrido&lt;br /&gt;qualquer espécie&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;de prejuízo, com sua&lt;br /&gt;exigência de ter seus livros publicados com a mesma ortografia portuguesa em&lt;br /&gt;todo lado. Afinal, como certa feita escreveu nosso poeta Ferreira Gullar, a&lt;br /&gt;crase (e, podemos acrescentar, o ponto e vírgula, cedilha, til, tremas ou&lt;br /&gt;hífens) não foi inventada para humilhar ninguém, e já que era para reformar,&lt;br /&gt;pensando em melhorar, o que significa, entre outras vantagens, trazer aquela da&lt;br /&gt;simplificação, por que criar toda essa celeuma em torno dos hífens? A mim&lt;br /&gt;parece que melhor seria fazer com eles como se fez com o trema – aliás, do&lt;br /&gt;ponto de vista fonético, de alguma utilidade -, eliminando-os&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;simplesmente – deixando, é claro, para o uso&lt;br /&gt;indiscriminado de heideggerianos e outros poetas. Penso, ainda, que do ponto de&lt;br /&gt;vista cultural teria sido melhor restaurar a antiga ortografia, quando se&lt;br /&gt;grafava as palavras de um maneira que tornava evidente suas origens antigas,&lt;br /&gt;grego-latinas – o “ph” com som de “f”, por exemplo, era sinal de que estávamos&lt;br /&gt;diante de palavra que em grego se grafava com o “phy”. Ah, nesse sentido, o que&lt;br /&gt;se fez foi resgatar as letras estrangeiras para o nosso alfabeto, como o “y” (o&lt;br /&gt;“piscilone” das vogais que meus avós aprenderam na Bahia) e o meu “w”.&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Aqui, penso que&lt;br /&gt;estaríamos diante do que o velho Freud chamou de “narcicismo das pequenas&lt;br /&gt;diferenças”, isso que leva, por exemplo, irmãos a brigarem, para se&lt;br /&gt;diferenciarem, por serem tão parecidos, perante os pais e, até, si mesmos – é o&lt;br /&gt;complexo de Édipo, que Freud cogitou em denominar, talvez de maneira mais clara&lt;br /&gt;e direta, “complexo fraterno”. René Girard, por sua vez, em obras como o&lt;br /&gt;clássico “A Violência e o Sagrado”, generalizou essa estrutura para explicar,&lt;br /&gt;pelo efeito mimético, o que permite conviver com outros esse ser tão violento&lt;br /&gt;que somos - de uma maneira que nenhum animal o é, já que neste a violência é&lt;br /&gt;algo posto a serviço da mera sobrevivência, e não de um gozo que só temos nós&lt;br /&gt;os seres barrados por uma interdição fundamental, que nos altera a natureza&lt;br /&gt;animal, tornando-nos esses seres desnaturalizados que somos. Em linhas gerais,&lt;br /&gt;nos identificamos enquanto os que são (ou somos) diferentes dos animais e,&lt;br /&gt;sobretudo, daqueles que por mais parecidos que sejam conosco, não são (a)&lt;br /&gt;gente, como nós. Mesmo os que nascem de nós, precisam passar pelo rito de passagem&lt;br /&gt;que os tornaria como nós, diferenciando-se, definitivamente, de espíritos ruins&lt;br /&gt;e animais, com os quais também se pareceriam.&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Pelo visto, até 2012&lt;br /&gt;não se espera nenhuma alteração fundamental em nosso modo de nos percebermos, e&lt;br /&gt;talvez a partir daí, com a ortografia unificada, possamos finalmente nos ver&lt;br /&gt;como a unidade que já somos – e não só os que falam português...&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;</description>
		<guid>http://philoblog.bloggeiro.com/Primeiro-blog-b1/Reforma-ortografica-b1-p5.htm</guid>
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		<title>Wittgensteiniana</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-08T15:18:55Z</pubDate>
		<description>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BreakWrappedTables/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:SnapToGridInCell/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--&lt;br /&gt;/* Font Definitions */&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:&quot;Lucida Sans Unicode&quot;;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 2 3 5 4 2 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:0;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:-2147476737 14699 0 0 63 0;}&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal&lt;br /&gt;{mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;margin:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&quot;Lucida Sans Unicode&quot;;}&lt;br /&gt;p.MsoBodyText, li.MsoBodyText, div.MsoBodyText&lt;br /&gt;{margin-top:0cm;&lt;br /&gt;margin-right:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:6.0pt;&lt;br /&gt;margin-left:0cm;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&quot;Lucida Sans Unicode&quot;;}&lt;br /&gt;@page Section1&lt;br /&gt;{size:595.25pt 841.85pt;&lt;br /&gt;margin:2.0cm 2.0cm 2.0cm 2.0cm;&lt;br /&gt;mso-header-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-footer-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-paper-source:0;}&lt;br /&gt;div.Section1&lt;br /&gt;{page:Section1;&lt;br /&gt;mso-footnote-position:beneath-text;}&lt;br /&gt;--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt;&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;table.MsoNormalTable&lt;br /&gt;{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;;&lt;br /&gt;mso-tstyle-rowband-size:0;&lt;br /&gt;mso-tstyle-colband-size:0;&lt;br /&gt;mso-style-noshow:yes;&lt;br /&gt;mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;&lt;br /&gt;mso-para-margin:0cm;&lt;br /&gt;mso-para-margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:widow-orphan;&lt;br /&gt;font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;}&lt;br /&gt;&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;Não é estranho&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;que haja um número tal&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;o qual a si mesmo somado ou &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;por si mesmo multiplicado&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;dê o mesmo resultado?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;Será que estaria aí algo a ser&lt;br /&gt;descoberto&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;sobre a natureza dos números ou&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;das operações matemáticas?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;E para fazer tais descobertas,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;ajudaria verificar que&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;o número anterior,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;somado a ele resulta no número&lt;br /&gt;posterior&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;e por ele multiplicado&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;tem a si como resultado?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;E que seja zero o próximo&lt;br /&gt;número na escala descendente&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;assim como idêntico será o&lt;br /&gt;resultado&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;de toda soma e multiplicação:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;infinito?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;Identidade, &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;diferença, &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;vazio, &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;infinito:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;poética &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;matemática.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Imagine uma forma de vida&lt;br /&gt;tão simples que não conhecesse números, mas apenas as palavras “pouco”, para&lt;br /&gt;quantidades de até quatro unidades, e “muito”, para o restante. Não seria esse&lt;br /&gt;um mundo mais feliz?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: right&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot; align=&quot;right&quot;&gt;&lt;br /&gt;Fortaleza (Praia do&lt;br /&gt;Mucuripe), 24.12.2008.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;</description>
		<guid>http://philoblog.bloggeiro.com/Primeiro-blog-b1/Wittgensteiniana-b1-p6.htm</guid>
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		<title>A(l)inda minha cidade.</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-10T17:25:07Z</pubDate>
		<description>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BreakWrappedTables/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:SnapToGridInCell/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal&lt;br /&gt;{mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;margin:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;}&lt;br /&gt;@page Section1&lt;br /&gt;{size:612.0pt 792.0pt;&lt;br /&gt;margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;&lt;br /&gt;mso-header-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-footer-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-paper-source:0;}&lt;br /&gt;div.Section1&lt;br /&gt;{page:Section1;}&lt;br /&gt;--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt;&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;table.MsoNormalTable&lt;br /&gt;{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;;&lt;br /&gt;mso-tstyle-rowband-size:0;&lt;br /&gt;mso-tstyle-colband-size:0;&lt;br /&gt;mso-style-noshow:yes;&lt;br /&gt;mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;&lt;br /&gt;mso-para-margin:0cm;&lt;br /&gt;mso-para-margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:widow-orphan;&lt;br /&gt;font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;}&lt;br /&gt;&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;Ah, essas manhãs, tardes e noites familiares da cidade&lt;br /&gt;natal,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;a continuidade de outras ancestrais que nelas estão ainda,&lt;br /&gt;estando no mesmo lugar,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;ouvir ainda o marulhar de ondas entre barulhos de uma cidade&lt;br /&gt;agora grande e ainda selvagem,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;lembrar do avô, postiço – padrasto de meu pai -,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;em nada parecido a um cauboi do faroeste, e&lt;br /&gt;ainda assim de revolver na cartucheira, com seu olho verde, assustador,&lt;br /&gt;postiço, de vidro – alvo de&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;fraternal&lt;br /&gt;tiro acidental (?) -, a vender urubus, louros postiços - nada mais que os de&lt;br /&gt;sempre, carregados nas tintas -, perfeitamente à vontade, na praça da cidade&lt;br /&gt;que era mais dele do que de qualquer outro de meus verdadeiros ancestrais,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;rever as ruas que ainda têm os mesmos nomes de personagens&lt;br /&gt;que então já eram desconhecidos e agora o são ainda, e ainda mais, mais ainda,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;vagar ainda à beira-mar, por onde antes nada mais havia do&lt;br /&gt;que areia, e agora calçadas conhecidas internacionalmente aplainam as&lt;br /&gt;caminhadas inúteis dos endinheirados habitantes de envidraçadas colunas de&lt;br /&gt;cimento, rigidamente enfileiradas, em patético pelotão...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;e ainda olhar o mar, sentir o mar, beber o mar, até quase –&lt;br /&gt;e por que não? - ainda afogar (ao sol ardente que na praia resseca, inocente,&lt;br /&gt;seculares tartarugas marinhas, encalhadas misteriosamente).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;</description>
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		<title>Anônimo</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-10T17:27:00Z</pubDate>
		<description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--&lt;br&gt;&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br&gt;&lt;br /&gt;p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal&lt;br&gt;&lt;br /&gt;{mso-style-parent:&amp;quot;&amp;quot;;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;margin:0cm;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;margin-bottom:.0001pt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;}&lt;br&gt;&lt;br /&gt;@page Section1&lt;br&gt;&lt;br /&gt;{size:595.25pt 841.85pt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;margin:2.0cm 2.0cm 2.0cm 2.0cm;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;mso-header-margin:36.0pt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;mso-footer-margin:36.0pt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;mso-paper-source:0;}&lt;br&gt;&lt;br /&gt;div.Section1&lt;br&gt;&lt;br /&gt;{page:Section1;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;mso-footnote-position:beneath-text;}&lt;br&gt;&lt;br /&gt;--&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um animal sentimental&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me entrego facilmente&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao que desperta o meu desejo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tente me obrigar o que eu não quero&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e você vai ver o que acontece&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que entendo o que você quis me dizer&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas existem outras coisas&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conseguir meu equilíbrio&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cortejando a insanidade&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo está perdido,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas existem possibilidades&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos a idéia,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas você mudou os planos&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tínhamos um plano,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você mudou de idéia&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passou, já passou&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe outro dia&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes eu sonhava&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora já não durmo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando foi que competimos pela primeira vez?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ninguém percebe, é o que todo mundo sabe&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me vem com egoismo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;falávamos de amizade&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou mais interessado no que sinto&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito em nada além do que duvido&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você espera respostas que eu não tenho,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas não vou brigar por causa disso&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até penso duas vezes se você quiser brigar&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha laranjeira verde&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por que está tão prateada?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a lua dessa noite&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no sereno da madrugada&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho um sorriso bobo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parecido com soluço&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o carro segue em frente&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com toda calma do mundo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;</description>
		<guid>http://philoblog.bloggeiro.com/Primeiro-blog-b1/Anonimo-b1-p8.htm</guid>
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		<title>Poemicídio</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-10T17:28:58Z</pubDate>
		<description>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BreakWrappedTables/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:SnapToGridInCell/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal&lt;br /&gt;{mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;margin:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br 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class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;“sócio-cídio”, “alter-cídio”, “si-cídio”&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;e se disso se faz um poema&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;se se faz um poema&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;só é poema&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;se digo ser poema&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;pois não há&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;poemicídio&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;e nem sou&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;poemicida.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&amp;#160;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;</description>
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		<title>Karine</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-11T23:32:28Z</pubDate>
		<description>&lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/karinealexandrino&quot;&gt;http://www.myspace.com/karinealexandrino&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;</description>
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		<title>Maysa no Japão em 1959</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-12T02:13:04Z</pubDate>
		<description>Cliquem no ícone do you tube acima à nossa esquerda!&lt;br /&gt;</description>
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		<title>Princípio antroentrópico</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-13T14:32:36Z</pubDate>
		<description>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BreakWrappedTables/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:SnapToGridInCell/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal&lt;br /&gt;{mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;margin:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;}&lt;br /&gt;@page Section1&lt;br /&gt;{size:595.25pt 841.85pt;&lt;br /&gt;margin:2.0cm 2.0cm 2.0cm 2.0cm;&lt;br /&gt;mso-header-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-footer-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-paper-source:0;}&lt;br /&gt;div.Section1&lt;br /&gt;{page:Section1;&lt;br /&gt;mso-footnote-position:beneath-text;}&lt;br /&gt;--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt;&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;table.MsoNormalTable&lt;br /&gt;{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;;&lt;br /&gt;mso-tstyle-rowband-size:0;&lt;br /&gt;mso-tstyle-colband-size:0;&lt;br /&gt;mso-style-noshow:yes;&lt;br /&gt;mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;&lt;br /&gt;mso-para-margin:0cm;&lt;br /&gt;mso-para-margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:widow-orphan;&lt;br /&gt;font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;}&lt;br /&gt;&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;Princípio entrópico: tudo no universo tende à&lt;br /&gt;desorganização.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;Princípio antrópico: todo o&lt;br /&gt;universo só faz sentido se tende à formação de seres conscientes, humanos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;Princípio antroentrópico: toda&lt;br /&gt;organização no universo decorre da observação de seres conscientes,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;desejantes, falantes, humanos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;Conclusão: só para esses seres há&lt;br /&gt;mundo, vida, morte e tudo o mais que organizam, mesmo sem saber, pela&lt;br /&gt;linguagem.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Princípio enteotrópico: a&lt;br /&gt;criação do verbo é divina, pois está além (e aquém) de toda compreensão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;</description>
		<guid>http://philoblog.bloggeiro.com/Primeiro-blog-b1/Principio-antroentropico-b1-p12.htm</guid>
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		<title>Crítica da Crise.</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-13T14:35:34Z</pubDate>
		<description>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BreakWrappedTables/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:SnapToGridInCell/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--&lt;br /&gt;/* Font Definitions */&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:&quot;Arial Unicode MS&quot;;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 4 2 2 2 2 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:128;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:-1 -369098753 63 0 4129279 0;}&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:Verdana;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:0;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;}&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:&quot;@Arial Unicode MS&quot;;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 4 2 2 2 2 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:128;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:-1 -369098753 63 0 4129279 0;}&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal&lt;br /&gt;{mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;margin:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;color:windowtext;}&lt;br /&gt;p.MsoBodyText, li.MsoBodyText, div.MsoBodyText&lt;br /&gt;{margin-top:0cm;&lt;br /&gt;margin-right:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:6.0pt;&lt;br /&gt;margin-left:0cm;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;color:windowtext;}&lt;br /&gt;em&lt;br /&gt;{mso-bidi-font-style:normal;}&lt;br /&gt;p&lt;br /&gt;{margin-top:14.0pt;&lt;br /&gt;margin-right:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:14.0pt;&lt;br /&gt;margin-left:0cm;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Arial Unicode MS&quot;;&lt;br /&gt;mso-hansi-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;color:black;}&lt;br /&gt;span.exibirmaterianotatexto1&lt;br /&gt;{mso-style-name:exibir_materia_nota_texto1;&lt;br /&gt;mso-ansi-font-size:5.5pt;&lt;br /&gt;font-family:Verdana;&lt;br /&gt;mso-ascii-font-family:Verdana;&lt;br /&gt;mso-hansi-font-family:Verdana;&lt;br /&gt;color:gray;}&lt;br /&gt;@page Section1&lt;br /&gt;{size:595.25pt 841.85pt;&lt;br /&gt;margin:2.0cm 2.0cm 2.0cm 2.0cm;&lt;br /&gt;mso-header-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-footer-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-paper-source:0;}&lt;br /&gt;div.Section1&lt;br /&gt;{page:Section1;&lt;br /&gt;mso-footnote-position:beneath-text;}&lt;br /&gt;--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt;&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;table.MsoNormalTable&lt;br /&gt;{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;;&lt;br /&gt;mso-tstyle-rowband-size:0;&lt;br /&gt;mso-tstyle-colband-size:0;&lt;br /&gt;mso-style-noshow:yes;&lt;br /&gt;mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;&lt;br /&gt;mso-para-margin:0cm;&lt;br /&gt;mso-para-margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:widow-orphan;&lt;br /&gt;font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;}&lt;br /&gt;&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: right; line-height: 200%&quot; class=&quot;MsoBodyText&quot; align=&quot;right&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black&quot;&gt;Le&lt;br /&gt;travail, c&#039;est du capital accumulé; le travail de plusieurs &lt;span&gt;                   &lt;/span&gt;accumulé par un seul, donc le&lt;br /&gt;travail c&#039;est du capital qui ne s&#039;accumule pas.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black&quot;&gt; Paul Lafitte &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;O ponto de partida da análise&lt;br /&gt;são os conceitos marxianos de &amp;quot;fetichismo&amp;quot; e de &amp;quot;valor&amp;quot;&lt;br /&gt;enquanto descrevem a transformação da atividade humana concreta em algo tão&lt;br /&gt;abstrato e puramente quantitativo como o valor de troca, encarnado na&lt;br /&gt;mercadoria e no dinheiro. O &amp;quot;fetichismo&amp;quot; não é, portanto, somente uma&lt;br /&gt;ilusão ou um fenômeno da consciência, mas uma realidade: a autonomização da&lt;br /&gt;mercadoria que segue apenas suas próprias leis de desenvolvimento. &amp;quot;Por&lt;br /&gt;trás&amp;quot; da processualidade cega e auto-referencial do valor não há nenhum&lt;br /&gt;sujeito que &amp;quot;faz&amp;quot; a História. Assim como a mercadoria, todos os cidadãos&lt;br /&gt;são medidos pelo mesmo parâmetro: são parcelas quantitativas de uma mesma&lt;br /&gt;abstração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;        &lt;/span&gt;&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;O desenvolvimento do capitalismo, com a&lt;br /&gt;dissolução de todas as qualidades que pareciam indissoluvelmente ligadas às&lt;br /&gt;pessoas, tende a desvincular funções como ser operário ou ser dirigente dos&lt;br /&gt;indivíduos empíricos. Assim, o &amp;quot;adeus ao proletariado&amp;quot; chega a ser&lt;br /&gt;definitivo: como grupo social baseado em condições idênticas de trabalho, de&lt;br /&gt;vida, de cultura e de consciência, o proletariado não foi nada mais do que o principal&lt;br /&gt;produto do capitalismo, se não um resíduo feudal. Com sua luta por se integrar&lt;br /&gt;plenamente à sociedade capitalista, o proletariado na verdade a tem ajudado a&lt;br /&gt;avançar e a alcançar sua realização plena: o conceito de luta de classes era,&lt;br /&gt;no fundo, uma teoria da libertação do capitalismo de seus resíduos&lt;br /&gt;pré-capitalistas, ao passo que é na teoria do valor e do fetichismo que Marx&lt;br /&gt;antecipou uma crítica que somente hoje adquire plena atualidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; text-indent: 72pt; line-height: 200%&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black&quot;&gt;O &amp;quot;valor&amp;quot; já&lt;br /&gt;contém em sua forma essencial (descrita no primeiro capítulo d’O &lt;em&gt;Capital) &lt;/em&gt;uma contradição insolúvel que&lt;br /&gt;conduz, inexoravelmente, ainda que isso leve muito tempo, à sua crise final.&lt;br /&gt;Esta crise está começando diante de nossos olhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;Um verdadeiro escândalo é a&lt;br /&gt;transformação de um objeto concreto em uma unidade de trabalho abstrato e então&lt;br /&gt;em dinheiro: as atuais capacidades produtivas, as mais elevadas que já&lt;br /&gt;existiram, graças ao desenvolvimento exponencial da tecnologia - para que se&lt;br /&gt;possa&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;produzir a preços competitivos -&lt;br /&gt;têm que passar pelo buraco da agulha da forma abstrata do valor e da capacidade&lt;br /&gt;de transformar-se em dinheiro.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;Então, é inútil opor os ideais&lt;br /&gt;da Ilustração burguesa, como a igualdade e a liberdade, à sua má-realização,&lt;br /&gt;uma vez que reconhece já nestes ideais uma estrutura criada pela mercadoria: o&lt;br /&gt;valor é sempre a um só tempo forma de consciência, de produção e de reprodução&lt;br /&gt;da vida social. O valor é uma &amp;quot;forma ( “fato” ou “fenômeno” - Marcel&lt;br /&gt;Mauss) social total&amp;quot;, é uma forma de convivência entre as pessoas. O&lt;br /&gt;resultado é &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;exibirmaterianotatexto1&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 5.5pt; line-height: 200%; color: gray&quot;&gt;um tipo de relação&lt;br /&gt;social que reifica o ser humano, convertendo-o em coisa e confere um poder&lt;br /&gt;sobrenatural ao mundo autonomizado das mercadorias, uma abstração real que&lt;br /&gt;media e dirige as relações humanas. Daí a centralidade do conceito de&lt;br /&gt;fetichismo na análise crítica da sociedade (pós) moderna, assim como já o era&lt;br /&gt;(e ainda é) em comunidades tribais, de cujo estudo é oriundo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;A tentativa de se ler a história&lt;br /&gt;como uma &amp;quot;história das relações fetichistas&amp;quot;, na qual o valor sucedeu&lt;br /&gt;à terra, ao parentesco sangüíneo e ao totemismo, enquanto formas na quais se&lt;br /&gt;expressava a potência humana inconsciente de si mesma, desemboca na afirmação&lt;br /&gt;de que esta pré-história da humanidade está chegando ao fim. Todas essas formas&lt;br /&gt;se converteram em segunda natureza, como instrumentos indispensáveis ao homem,&lt;br /&gt;para diferenciar-se da natureza primeira. Mas hoje em dia é possível, e até&lt;br /&gt;necessário, urgente mesmo, proceder a uma segunda humanização, desta vez&lt;br /&gt;consciente. Se são as relações fetichistas as que fizeram até agora a história&lt;br /&gt;e que criaram, juntamente com as relações de produção, também as formas de&lt;br /&gt;consciência correspondentes, então já não é mais necessário recorrer a&lt;br /&gt;sofisticadas teorias da &amp;quot;manipulação” para explicar como as classes&lt;br /&gt;dominantes conseguiram impor à maioria, durante milênios, um sistema de&lt;br /&gt;exploração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;O fetichismo é uma forma&lt;br /&gt;histórica, uma forma muito longa e importante, mas não é a única forma de&lt;br /&gt;convivência humana. Na sociedade fetichista não pode existir verdadeiramente um&lt;br /&gt;sujeito, porque o sujeito, na sociedade da mercadoria, é a própria mercadoria,&lt;br /&gt;o valor. Os sujeitos existem, mais ou menos, como portadores da lógica da&lt;br /&gt;mercadoria, sem que esteja disso conscientes – ou, a rigor, sejam,&lt;br /&gt;propriamente, conscientes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;Essa distinção entre mundo&lt;br /&gt;interno e externo, objetivo e subjetivo, é uma estrutura tipicamente moderna: a&lt;br /&gt;mesma estrutura do valor, que tem sempre necessidade de dividir o mundo em&lt;br /&gt;fatores objetivos e subjetivos. A análise da crise, ao demonstra que o capitalismo,&lt;br /&gt;como tudo o que existe ou existiu, não pode continuar a existir para sempre,&lt;br /&gt;tanto que ele já deixou de existir em muitas partes do mundo, implica que os&lt;br /&gt;homens serão forçados a inventar outras formas de existência, que também estão&lt;br /&gt;para além da forma tradicional do sujeito. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;O&lt;br /&gt;fetichismo econômico comporta sempre um fetichismo jurídico. As pessoas,&lt;br /&gt;existências concretas, são convertidas em sujeitos por relações espectrais,&lt;br /&gt;quer dizer, as relações entre mercadorias: comprar-vender a força de trabalho e&lt;br /&gt;comprar-vender o resto de mercadorias, por meio de contratos em ter sujeitos&lt;br /&gt;capazes – portanto, dotados de autonomia, só que meramente jurídico-formal. De&lt;br /&gt;maneira análoga ao encantamento do universo mercantil, os produtos do&lt;br /&gt;pensamento humano são reificados (substancia-se ou coisifica-se um acidente,&lt;br /&gt;uma idéia) como forças autônomas. A partir da constituição do fetiche “homem”&lt;br /&gt;já pode imaginar-se que é alguém com independência das relações sociais que se&lt;br /&gt;estabelece, que a sua subjetividade antecede essas relações. Assim como as&lt;br /&gt;mercadorias aparecem como portadoras do valor por natureza, os indivíduos&lt;br /&gt;aparecem como portadores de vontade, razão e liberdade. Ao fetichismo econômico&lt;br /&gt;das coisas sucede um fetichismo jurídico das pessoas (e o correspondente&lt;br /&gt;caráter fetichista da subjetividade). No caso da mercadoria exterioriza-se um&lt;br /&gt;valor; no das pessoas interioriza-se um sujeito (uma vontade, uma razão…).&lt;br /&gt;Constrói-se um imaginário social estruturado sobre a linguagem da lei&lt;br /&gt;mercantil: a atribuição de valor à língua ou ao patrimônio cultural; a ‘otimização&lt;br /&gt;de recursos’ (financeiros, humanos ou técnicos); o ‘contrato’ que assinam os&lt;br /&gt;políticos com o povo; o tempo que é ouro e, por isso, não se pode perder – ou&lt;br /&gt;tem-se que ganhar, na forma do “tempo livre”-; as reuniões que se fazem&lt;br /&gt;‘produtivas’; o combate ao ‘esbanjamento’ de recursos. Podemos concluir que a&lt;br /&gt;ruptura com a forma do sujeito capitalista implica necessariamente a ruptura&lt;br /&gt;geral com as relações de fetiche no seio da sociedade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;O proletariado, na lógica&lt;br /&gt;capitalista, como vendedor da força de trabalho, é tão capitalista quanto os&lt;br /&gt;que lhe pagam. Isso significa que não se pode mobilizar uma força social já&lt;br /&gt;existente, enquanto força social, para atribuir-lhe uma capacidade&lt;br /&gt;emancipatória. Isso vale para o proletariado, os imigrantes, os estudantes etc.&lt;br /&gt;Nenhuma categoria existente é, enquanto categoria, a portadora da emancipação,&lt;br /&gt;como também não pode sê-lo, com mais razão ainda, a multidão de Toni Negri, em&lt;br /&gt;mais uma teoria que faz o elogio do desenvolvimento das forças produtivas, tal&lt;br /&gt;como o velho marxismo, com a diferença de que, agora, se trata de &amp;quot;forças&lt;br /&gt;produtivas imateriais&amp;quot;, e essa nova teoria quer se apresentar como&lt;br /&gt;representante dos novos &amp;quot;trabalhadores imateriais&amp;quot;, sem uma crítica&lt;br /&gt;do que se produz hoje com o tal &amp;quot;trabalho imaterial&amp;quot;. Tudo isso&lt;br /&gt;somente para convocar, outra vez, os trabalhadores a se apropriarem dos meios&lt;br /&gt;de produção. Essa &amp;quot;multidão&amp;quot; de que nos falam Negri (e Hardt) é&lt;br /&gt;somente um outro nome, mais &amp;quot;pós-moderno&amp;quot;, para o proletariado, que é&lt;br /&gt;a classe que produz tudo e que, portanto, deve tomar o controle político da&lt;br /&gt;sociedade em suas mãos. Esse é o velho programa da II Internacional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;Ao mesmo tempo, o fato do&lt;br /&gt;trabalhador produzir o valor é exatamente o problema, porque, para a crítica do&lt;br /&gt;valor, ele é uma categoria negativa e destrutiva. O valor é uma camisa-de-força&lt;br /&gt;para a realidade viva. Para Negri e Hardt, esse fato, de que os proletários –&lt;br /&gt;ou a &amp;quot;multidão&amp;quot; – produzem o valor, é, ao contrário, um fato&lt;br /&gt;positivo. É esse fato que funda a sua reivindicação de poder governar o mundo.&lt;br /&gt;E tudo isso somente parece &amp;quot;pós-moderno&amp;quot; porque é mesclado a mil&lt;br /&gt;outros teóricos, um menos interessante que os outros, para os propósitos de uma&lt;br /&gt;crítica radical, como Deleuze e Guattari. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;Normalmente, não há uma crítica&lt;br /&gt;do movimento do capital e do trabalho, nenhuma reflexão teórica sobre as bases&lt;br /&gt;dessa sociedade, isto é, sobre o trabalho abstrato, o valor, o dinheiro e a&lt;br /&gt;mercadoria, categorias mais ou menos aceitas como pressupostos naturais. Quando&lt;br /&gt;muito, a título de crítica, o que se vê é um tipo de polêmica falsamente&lt;br /&gt;anticapitalista, que foi também muito comum no fascismo e outros “socialismos”&lt;br /&gt;ultradireitistas, ou seja, defender o capitalismo atacando somente a&lt;br /&gt;redistribuição parasitária promovida por grupos financeiros. &lt;span&gt;    &lt;/span&gt;É equivocado, portanto, o discurso&lt;br /&gt;nacionalista, associado à crítica da globalização, porque a resposta para os&lt;br /&gt;nossos problemas não é nos reportarmos ao Estado Nacional, assim como o&lt;br /&gt;problema não é somente o &amp;quot;imperialismo&amp;quot; dos EUA ou das grandes&lt;br /&gt;multinacionais: o problema está na lógica do mercado e do trabalho, difundida&lt;br /&gt;nas consciências desde o Iluminismo, que simplesmente não funciona mais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;Por que é tão importante a crítica do valor? Porque a forma do valor&lt;br /&gt;não deixa de ser uma nova metafísica, neste caso real e secularizada, e&lt;br /&gt;qualitativamente distinta daquelas da consciência pré-moderna (que é mais&lt;br /&gt;imaginária, como objeto exterior de veneração). Abstração generalizada e ‘real’&lt;br /&gt;da forma valor que destrói a referência ao mundo sensível, violadora da&lt;br /&gt;existência e de qualquer referência aos conteúdos ou qualidade própria,&lt;br /&gt;negadora de toda sensibilidade, repressora. A sociedade do valor –&lt;br /&gt;autonomizado, automatizado, fetichizado - é a negação brutal de todo o mundo&lt;br /&gt;sensível e social. A crítica da universalidade abstrata (e da primeira de todas&lt;br /&gt;elas, a universalidade econômica abstrata do dinheiro) sustenta-se em razão&lt;br /&gt;dela não ser mediada por uma comunicação concreta sobre relações sensíveis e&lt;br /&gt;materiais da reprodução comum da vida, mas sim pela abstração do valor, um meio&lt;br /&gt;indireto, abstrato, fetichista, sem sujeito e sem linguagem, como é o&lt;br /&gt;representado pelo valor. O capitalismo faz do valor o seu fim social em si&lt;br /&gt;mesmo. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;Resume-o&lt;br /&gt;muito bem Anselm Jappe, em seu&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;livro &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black; font-style: normal&quot;&gt;As Aventuras da&lt;br /&gt;Mercadoria&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black&quot;&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;margin-left: 70.8pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt; &lt;em&gt;N&lt;/em&gt;ã&lt;em&gt;o&lt;br /&gt;se trata do ‘falso’ reflexo da realidade nas mentes humanas, mas de uma&lt;br /&gt;realidade ‘falsa’, porque privada das suas qualidades concretas e em que as&lt;br /&gt;abstrações (…) tornaram-se realidades materiais – por mais que seja difícil,&lt;br /&gt;para a consciência positivista, conceber que uma coisa possa ser, ao mesmo&lt;br /&gt;tempo, uma realidade e uma abstraç&lt;/em&gt;ã&lt;em&gt;o. A abstraç&lt;/em&gt;ã&lt;em&gt;o n&lt;/em&gt;ã&lt;em&gt;o&lt;br /&gt;é um mau hábito de pensamento que se cura substituindo as idéias falsas pelas&lt;br /&gt;verdadeiras (…), mas somente abolindo a &lt;/em&gt;real &lt;em&gt;submiss&lt;/em&gt;ã&lt;em&gt;o do&lt;br /&gt;conteúdo concreto à forma abstrata.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;  &lt;span&gt;              &lt;/span&gt;Como nos diz&lt;br /&gt;o autor apenas citado, a luta ideológica não pode ser mais a venda de verdades&lt;br /&gt;engarrafadas no vazio para consumo das mentes alienadas da sociedade, mas sim a&lt;br /&gt;alteração radical das regras de jogo e das estruturas (micro e macro) de&lt;br /&gt;relacionamento e reprodução social, começando pelas econômicas e arrematando&lt;br /&gt;por aquelas nas que se moldam a sociabilidade das pessoas: afetivas,&lt;br /&gt;emocionais, grupais…&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;O certo é que há&lt;br /&gt;um sentimento generalizado de insegurança em relação ao futuro. E se as pessoas&lt;br /&gt;consomem freneticamente, é porque têm a sensação de que tudo é precário, de que&lt;br /&gt;tudo vai terminar de um dia para o outro. E isto atinge não apenas os pobres,&lt;br /&gt;mas também as classes médias. Durante muito tempo, pensou-se que mais depressa&lt;br /&gt;morreríamos de tédio que de fome. A realidade está a se encarregar de desmentir&lt;br /&gt;essa profecia. Não se trata de um processo apocalíptico. Mas o certo é que o&lt;br /&gt;sistema está hoje muito mais em crise do que nos anos 1970: a produção&lt;br /&gt;verdadeira, a acumulação de capital real, perdeu importância face à acumulação&lt;br /&gt;de capital fictício, nas bolsas e na especulação imobiliária. Apesar da&lt;br /&gt;ineficácia das medidas que desde então vêm sendo tomadas, a derrocada de um&lt;br /&gt;sistema em colapso é adiada com ajuda das bolhas financeiras que se manifestam&lt;br /&gt;no endividamento pessoal, das empresas e do estado e na supervalorização das&lt;br /&gt;ações, dos imóveis, das &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; font-style: normal&quot;&gt;commodities &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;e&lt;br /&gt;outros ativos. A especulação financeira de toda ordem tem criado um volume&lt;br /&gt;absurdo de dinheiro totalmente descolado da produção real, que mais tarde ou&lt;br /&gt;mais cedo terá que prestar contas através da inflação ou da deflação, o que&lt;br /&gt;parece estar cada vez mais próximo. Mas isso não quer dizer que a solução passe&lt;br /&gt;pela reforma do sistema que existe. Pelo contrário. Como dizia um colaborador&lt;br /&gt;da revista Krisis, a globalização é como um barco que já não tem combustível e&lt;br /&gt;que continua a navegar apenas porque vai queimando, pouco a pouco, as tábuas do&lt;br /&gt;convés. É evidente que as saídas se tornaram mais difíceis. Temos pela frente&lt;br /&gt;uma tarefa ciclópica, de grande fôlego, que requer tempo e não passa apenas&lt;br /&gt;pelo próximo slogan para a manifestação de amanhã.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;Pode o colapso do&lt;br /&gt;moderno sistema produtor de mercadorias, ao converter em caducas as velhas&lt;br /&gt;ideologias, trazer para o primeiro plano um novo tipo de prática e pensamento?&lt;br /&gt;Corre-se ainda o risco de que na teoria crítica do valor pretenda-se estar se&lt;br /&gt;erguendo como ideologia dos tempos do colapso, fenômeno que obviamente é de&lt;br /&gt;ser, também, combatido.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;As construções&lt;br /&gt;históricas da ideologia moderna – ou da modernidade como ideologia, como&lt;br /&gt;prefere Louis Dumont - concorreram para a constituição da forma do sujeito&lt;br /&gt;moderno, masculino e ocidental, permeado pela ideologia do valor e da&lt;br /&gt;dissociação, que deve de ser radicalmente negado e superado. Todas as&lt;br /&gt;categorias ideológicas da modernidade capitalista são deduzidas da forma de&lt;br /&gt;mercadoria geral, derivadas da esfera da circulação. Assim, o universalismo&lt;br /&gt;abstrato da razão revelou-se como mero reflexo da abstração real objetiva do&lt;br /&gt;dinheiro; a liberdade é uma noção jurídica sem valor para as pessoas sem renda&lt;br /&gt;para fazê-la efetiva; a emancipação da mulher é a sua inserção no mercado&lt;br /&gt;laboral e o funcionamento capitalista; o livre-arbítrio para construir a&lt;br /&gt;própria vida utiliza-se só (e não só, mas sobretudo no Ocidente, entendido como&lt;br /&gt;situado principalmente no eixo norte-atlântico) através do consumo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;Depois&lt;br /&gt;de Marx, durante muitos decênios, e apesar das contribuições de autores como&lt;br /&gt;Lukács, Isaac Rubin e alguns outros, toda análise do fetichismo restou diluída&lt;br /&gt;na categoria muito mais ampla e indeterminada de &amp;quot;alienação“; com o que o&lt;br /&gt;fetichismo se convertia em um fenômeno de consciência, em uma falsa&lt;br /&gt;opinião&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;ou valoração&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;das coisas&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;que de algum modo se podia&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;relacionar com a tão discutida noção de &amp;quot;ideologia&amp;quot;. Só&lt;br /&gt;durante a segunda metade dos anos sessenta o conceito&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;de fetichismo, a análise&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;da estrutura&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;da mercadoria e do trabalho&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;abstrato chegaram a ocupar um lugar destacado na discussão, sobretudo na&lt;br /&gt;Alemanha&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;e na Itália.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;  &lt;span&gt;              &lt;/span&gt;A crítica&lt;br /&gt;atual da dissociação promovida pelo fetichismo alude àquelas esferas da&lt;br /&gt;reprodução social não mediadas, até a ofensiva neoliberal, pelas relações&lt;br /&gt;mercantis: lazer, assistência a idosos, vida familiar, cultura popular. Grande&lt;br /&gt;parte destas esferas estavam em mãos femininas, em uma esfera subordinada, mas&lt;br /&gt;em certa medida autônoma. A relação de dissociação entre os gêneros é a relação&lt;br /&gt;central da moderna constituição de fetiche que torna de algum modo possível uma&lt;br /&gt;relação de valor. A crítica do valor deve, portanto, superar também a lógica da&lt;br /&gt;dissociação da forma sujeito moderna, capitalista e estruturalmente masculina.&lt;br /&gt;O paradigma básico desta lógica dissociadora é o que se reflete na dissociação&lt;br /&gt;abstrata entre a masculinidade e a feminilidade. O homem e a mulher devem de&lt;br /&gt;ser simplesmente pessoas pensantes, desejantes e sensíveis. O homem e a mulher&lt;br /&gt;assim dissociados e reduzidos às suas abstrações de ‘valor masculino’ e ‘valor&lt;br /&gt;feminino’ não podem servir de fundamento e parâmetro positivo. ‘O valor é o&lt;br /&gt;macho’, diz o título de um famoso ensaio de Roswitha Scholz, publicado na&lt;br /&gt;revista &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; font-style: normal&quot;&gt;Krisis&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;n.° 12 (1992). Em certa&lt;br /&gt;medida, sobre esta dissociação histórica construiu-se a estratificação&lt;br /&gt;patriarcal de ocidente. Como refletira magnificamente o freudo-marxista Erich&lt;br /&gt;Fromm, ligado à Escola de Frankfurt, por trás da dissociação entre&lt;br /&gt;masculinidade e feminilidade acha-se num plano histórico a dissociação entre&lt;br /&gt;Estado, lei, guerra, esfera pública e ordem (valores da masculinidade como&lt;br /&gt;ontologia positiva) e esfera privada e íntima, amor, emoções, sentimentos,&lt;br /&gt;filhos, reprodução da vida e família (como valores da feminilidade e valor&lt;br /&gt;subalterno). Outras dissociações transcendentais são as que se estabelecem&lt;br /&gt;entre vida privada e vida pública, trabalho e lazer. No caminho da soldadura de&lt;br /&gt;ambos os pólos a luta contra a dissociação é também a luta por dotar de carga&lt;br /&gt;emancipatória dimensões do quotidiano, como assinalara já há quatro décadas o&lt;br /&gt;situacionismo de Guy Débord e seus companheiros.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;</description>
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		<title>Crítica Final</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-13T14:39:24Z</pubDate>
		<description>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BreakWrappedTables/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:SnapToGridInCell/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--&lt;br /&gt;/* Font Definitions */&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:&quot;Arial Unicode MS&quot;;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 4 2 2 2 2 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:128;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:-1 -369098753 63 0 4129279 0;}&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:Verdana;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:0;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;}&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:&quot;@Arial Unicode MS&quot;;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 4 2 2 2 2 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:128;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:-1 -369098753 63 0 4129279 0;}&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal&lt;br /&gt;{mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;margin:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;color:windowtext;}&lt;br /&gt;em&lt;br /&gt;{mso-bidi-font-style:normal;}&lt;br /&gt;p&lt;br /&gt;{margin-top:14.0pt;&lt;br /&gt;margin-right:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:14.0pt;&lt;br /&gt;margin-left:0cm;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Arial Unicode MS&quot;;&lt;br /&gt;mso-hansi-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;color:black;}&lt;br /&gt;@page Section1&lt;br /&gt;{size:595.25pt 841.85pt;&lt;br /&gt;margin:2.0cm 2.0cm 2.0cm 2.0cm;&lt;br /&gt;mso-header-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-footer-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-paper-source:0;}&lt;br /&gt;div.Section1&lt;br /&gt;{page:Section1;&lt;br /&gt;mso-footnote-position:beneath-text;}&lt;br /&gt;--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt;&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;table.MsoNormalTable&lt;br /&gt;{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;;&lt;br /&gt;mso-tstyle-rowband-size:0;&lt;br /&gt;mso-tstyle-colband-size:0;&lt;br /&gt;mso-style-noshow:yes;&lt;br /&gt;mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;&lt;br /&gt;mso-para-margin:0cm;&lt;br /&gt;mso-para-margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:widow-orphan;&lt;br /&gt;font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;}&lt;br /&gt;&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;Na&lt;br /&gt;sociedade pautada pelo imperativo da produção das mercadorias desaparece o&lt;br /&gt;conteúdo concreto do objeto e do trabalho que o produz, conta somente o&lt;br /&gt;trabalho como mera quantidade de tempo empregado, que Marx chama &amp;quot;trabalho&lt;br /&gt;abstrato&amp;quot;. Toda a produção de mercadoria se baseia num processo de&lt;br /&gt;&amp;quot;abstratificação&amp;quot;, de &amp;quot;tornar-se-abstrato&amp;quot;, porque&lt;br /&gt;prevalece a mera quantidade sem qualidade. Isto é a abstração de cada conteúdo.&lt;br /&gt;O espetáculo com a sua redução do mundo a um mero parecer, à imagem, não é,&lt;br /&gt;portanto, outra coisa senão, como disse o próprio Debord, uma posterior etapa&lt;br /&gt;no processo secular do &amp;quot;tornar-se-abstrato&amp;quot; do mundo, iniciado no&lt;br /&gt;Renascimento e continuado com maior força desde o final do século dezoito. Um&lt;br /&gt;processo que não é fruto de uma misteriosa &amp;quot;metafísica ocidental&amp;quot;,&lt;br /&gt;como gostaria talvez um Heidegger, mas que é o resultado de um processo&lt;br /&gt;material e social bem determinado, e por isto, no limite, também modificável. A&lt;br /&gt;televisão é, portanto, uma espécie de apogeu da sociedade da mercadoria, não&lt;br /&gt;somente porque faz vender, mas porque potencializa a estrutura fundamental da&lt;br /&gt;sociedade moderna: a contemplação inerte, isto que o homem criou sem sabê-lo e&lt;br /&gt;igualmente sem querê-lo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Deve-se,&lt;br /&gt;porém, acenar com um outro elemento de importância capital: o espetáculo assim&lt;br /&gt;como o entende Debord, não chega absolutamente a ocupar a realidade inteira –&lt;br /&gt;muito diferentemente do que acontece segundo Jean Baudrillard, cujas&lt;br /&gt;elucubrações são, para os observadores mais superficiais, parecidas com a teoria&lt;br /&gt;de Debord. Para Baudrillard, cópia e realidade são enfim indistinguíveis, não&lt;br /&gt;existe mais uma realidade, um original, um significado e talvez nunca tenham&lt;br /&gt;existido. A resignação satisfeita é a conseqüência lógica desta perspectiva. A&lt;br /&gt;análise de Debord, muito pelo contrário, considera a invasão das cópias em&lt;br /&gt;detrimento do original, da aparência em detrimento da realidade como um&lt;br /&gt;escândalo. Não porque poderia realmente alguma vez ter êxito no final das&lt;br /&gt;contas . Mas porque são danos bastante reais que infligem a realidade. O&lt;br /&gt;predomínio da mercadoria e do espetáculo significa igualmente um grande&lt;br /&gt;empobrecimento da vida vivida. A mercadoria e o espetáculo são abstratificação&lt;br /&gt;e glacialização da vida, são &amp;quot;uma negação da vida que veio a ser&lt;br /&gt;visível&amp;quot;. Estes constituem um reverso negativo, uma forma pervertida da&lt;br /&gt;vida, mas não podemos nunca substituí-la por tudo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Também&lt;br /&gt;Anders observou já nos anos cinqüenta uma inversão operada pela televisão:&lt;br /&gt;&amp;quot;Quando o fantasma se torna real, a realidade se torna&lt;br /&gt;fantasmagórica&amp;quot;, escreveu, precisando que o fantasma não é nem uma&lt;br /&gt;realidade, nem uma simples imagem, mas um ser do meio, com um estatuto&lt;br /&gt;ontológico diferente. Assim, os contatos entre os homens reais e os fantasmas&lt;br /&gt;assumem os contornos das clássicas histórias de fantasmas. Seguramente, aqui,&lt;br /&gt;levantaremos questões para afirmar que o aspecto fraco desta teoria, o seu lado&lt;br /&gt;&amp;quot;envelhecido&amp;quot;, superado, seria propriamente o seu apego a noções como&lt;br /&gt;&amp;quot;original&amp;quot; e &amp;quot;real&amp;quot;, &amp;quot;cópia&amp;quot; e &amp;quot;aparência&amp;quot;&lt;br /&gt;categorias de forma essencialística e pertencentes a uma procura impossível do&lt;br /&gt;autêntico e do verdadeiro do qual o pensamento contemporâneo nos últimos&lt;br /&gt;decênios estaria felizmente liberado. É evidente que nós assumimos, aqui, um&lt;br /&gt;outro ponto de vista: somente quando finalmente cresceu uma geração – já&lt;br /&gt;mencionada – que desde o seu nascimento não conheceu outra coisa senão a cópia&lt;br /&gt;e a aparência, uma geração para a qual, desde pequena, a realidade era aquela&lt;br /&gt;que transmitia a televisão, e não aquela da qual eventualmente se podia fazer&lt;br /&gt;uma experiência direta, somente quando esta geração chegou às cátedras pôde&lt;br /&gt;difundir-se a tese pós-moderna de que a realidade não existe, e não por acaso&lt;br /&gt;isto aconteceu antes nos países onde a desrealização da vida cotidiana estava&lt;br /&gt;já mais avançada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;É&lt;br /&gt;certo que tese de &lt;em&gt;A Sociedade do&lt;br /&gt;Espetáculo &lt;/em&gt;de no. 9 afirma que &amp;quot;num mundo realmente invertido, a&lt;br /&gt;verdade é um momento do falso&amp;quot;. Esse aforismo, freqüentemente&lt;br /&gt;mal-entendido, é uma retomada invertida de uma frase de Hegel, de que o falso é&lt;br /&gt;apenas um momento do verdadeiro. Com isso, Debord não quer dizer que não&lt;br /&gt;vivemos num mundo em que não há nada de verdadeiro ou num mundo em que o falso&lt;br /&gt;remete apenas a outro falso. Essa é a apenas a aparente radicalização da teoria&lt;br /&gt;situacionista que podemos encontrar em teóricos pós-modernos como Baudrillard.&lt;br /&gt;De modo que dizer que nesse mundo invertido em que o verdadeiro é um momento do&lt;br /&gt;falso, significa simplesmente dizer que a sociedade espetacular utiliza tudo&lt;br /&gt;que é verdadeiro e coloca-o a seu serviço. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Tem&lt;br /&gt;uma página da revista Internacional Situacionista que reproduz uma imagem que&lt;br /&gt;passou numa televisão holandesa de protestantes em 1967. Nela, de modo muito&lt;br /&gt;escandaloso para a época, mostrou-se uma imagem de uma mulher de seios nus. O&lt;br /&gt;diretor da televisão explicou que eles queriam mostrar apenas que mulheres nuas&lt;br /&gt;podem ser muito bonitas. A revista aponta que no mundo espetacular mesmo as&lt;br /&gt;verdades mais elementares correm o risco de se perderem ou serem críveis apenas&lt;br /&gt;quando afirmadas pelo próprio espetáculo. Essa imagem saiu na televisão em 67,&lt;br /&gt;mas um número da revista que foi publicado em 69, que continuava comentando&lt;br /&gt;essa imagem, dizia que nos meses subseqüentes, ou seja, em maio de 68, o mundo&lt;br /&gt;real começou a atacar esse mundo invertido. Debord mantinha plenamente esse&lt;br /&gt;conceito de inversão do real e do abstrato, um conceito que tem raízes na&lt;br /&gt;análise marxiana da mercadoria e em que se aponta uma relação em que o abstrato&lt;br /&gt;domina o concreto, isto é, uma relação falsa, pervertida. Isso se contrapõe às&lt;br /&gt;teorias pós-modernas, para as quais não existe sequer a possibilidade de um&lt;br /&gt;verdadeiro e um falso. Portanto, a teoria de Debord não é uma teoria que pode&lt;br /&gt;levar a uma espécie de fatalismo ou pessimismo necessário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Em&lt;br /&gt;última análise, a televisão contribui para criar o homem-mercadoria: um ser&lt;br /&gt;humano que não é simplesmente forçado pela necessidade de entrar no ciclo de&lt;br /&gt;trabalho alienado e consumo de mercadorias, como acontecia nos primeiros tempos&lt;br /&gt;da dominação capitalista na qual existia ainda um real conflito entre uma&lt;br /&gt;esfera capitalista da vida e uma outra esfera – a família, a aldeia, o bairro,&lt;br /&gt;a corporação – não dominada pela lógica da mercadoria, ou não completamente. O&lt;br /&gt;triunfo dos meios eletrônicos, iniciado entre as duas guerras mundiais,&lt;br /&gt;coincide com uma penetração capilar da mercadoria em cada esfera da vida, com&lt;br /&gt;uma &amp;quot;colonização da vida cotidiana&amp;quot;, como a chamou Debord. Com a&lt;br /&gt;televisão desaparece o &amp;quot;fora&amp;quot; e o &amp;quot;dentro&amp;quot;, não existe mais&lt;br /&gt;uma esfera separada da mercadoria. Exceto para pequenas minorias, não existe&lt;br /&gt;mais o desejo de beber que não seja o desejo de beber Coca-Cola ou um outro&lt;br /&gt;produto publicizado na TV, não existem mais brinquedos feitos pela própria&lt;br /&gt;criança, mas somente aqueles vistos sobre o plano televisivo, não existem&lt;br /&gt;comportamentos amorosos diferentes daqueles das telenovelas, etc. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Não&lt;br /&gt;vale aqui repetir análises já feitas à exaustão sobre como a realidade vem,&lt;br /&gt;enfim, percebida somente por intermédio dos esquemas mentais e perceptivos&lt;br /&gt;impostos pela TV. Anders disse, há meio século, que agora os homens já não&lt;br /&gt;criam a sua própria linguagem, assim como não cozinham mais o próprio pão em&lt;br /&gt;casa. Vale, porém, de sublinhar que isto confirma a análise da mercadoria como&lt;br /&gt;&amp;quot;forma social total&amp;quot;: um sujeito em forma de mercadoria, para o qual&lt;br /&gt;cada objeto de percepção, desejo, sentimento ou pensamento é representado sob&lt;br /&gt;forma de mercadoria. Também a função de &amp;quot;democratização&amp;quot; que muitos&lt;br /&gt;querem atribuir à televisão consiste justamente no fato de todos tornarem-se&lt;br /&gt;iguais em frente a ela. A televisão repete nos confrontos dos sujeitos o mesmo&lt;br /&gt;processo universal induzido pela lógica da mercadoria: reduzir tudo a&lt;br /&gt;diferentes expressões quantitativas da mesma substância indeterminada sem&lt;br /&gt;qualidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Podemos&lt;br /&gt;também falar de uma verdadeira e própria &amp;quot;antropogênese negativa&amp;quot; ou&lt;br /&gt;&amp;quot;regressiva&amp;quot;. Os esforços milenares dos humanos para aperfeiçoar a&lt;br /&gt;própria existência, enriquecendo acima de tudo a sua relação entre si e com o&lt;br /&gt;mundo, correm o risco ainda de anular-se e o homem de cair em um estado de&lt;br /&gt;pobreza existencial que na verdade jamais existiu no passado, em plena&lt;br /&gt;afluência material também nunca antes existente. Günther Anders insiste no&lt;br /&gt;empobrecimento, ou melhor, na quase abolição da experiência individual, quando&lt;br /&gt;todo o mundo se encontra abastecido em casa como acontece com o gás ou com a&lt;br /&gt;eletricidade. Todas as categorias tradicionais do ser-no-mundo, da relação dos&lt;br /&gt;homens com o seu mundo, vêm sendo postas em discussão pela existência do rádio&lt;br /&gt;e da TV, e não somente quando existem 100 canais, mas já quando aparece a sua&lt;br /&gt;estrutura embrionária. O fora e o dentro, a distância e a proximidade, o&lt;br /&gt;particular e o universal, substituídos pela sucessão, a simultaneidade e a&lt;br /&gt;presença verdadeira, o ser e o aparecer: todas estas distinções desaparecem. A&lt;br /&gt;televisão, disse Anders, faz desaparecer o mundo sob a imagem do mundo. O mundo&lt;br /&gt;como mundo se apresenta substituído por um modelo de mundo a uma escala&lt;br /&gt;reduzida que serve para aprender e interiorizar os comportamentos que se deve&lt;br /&gt;ter depois nos confrontos do mundo real. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;No&lt;br /&gt;fundo, toda a sociedade da mercadoria é uma tal antropogênese negativa, um&lt;br /&gt;passo atrás da humanidade. Em frente aos ídolos do mercado e da rentabilidade,&lt;br /&gt;da mercadoria e do capital, o homem moderno não demonstra absolutamente uma&lt;br /&gt;maior autonomia tanto quanto tinha o assim dito homem primitivo em frente ao&lt;br /&gt;seu ídolo de madeira, ao qual atribuía aqueles poderes que na verdade eram os&lt;br /&gt;da comunidade humana. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;O&lt;br /&gt;entusiasmo com o qual recebemos esta regressão é muito merecedor de uma&lt;br /&gt;explicação. Provavelmente nada é tão comum a todos os habitantes do globo&lt;br /&gt;quanto a vontade de assistir a TV. Sobre alguns conteúdos podem pesar as&lt;br /&gt;diferenças culturais, as bailarinas seminuas suscitam talvez um escândalo na&lt;br /&gt;Arábia Saudita. Mas se se trata de assistir aos desenhos animados, podemos&lt;br /&gt;estar seguros de que pelo menos isto aproximaria palestinos e israelenses,&lt;br /&gt;chechênios e russos, habitantes das favelas e milionários americanos, aiatolás&lt;br /&gt;e atrizes pornográficas. Anders afirmou já no ano de 1956 que muitos dos seus&lt;br /&gt;contemporâneos prefeririam encontrar-se na prisão com uma televisão (ou melhor,&lt;br /&gt;ele diz com um rádio), em vez de ser livre sem um tal aparelho. O que devemos&lt;br /&gt;dizer hoje? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;A&lt;br /&gt;primeira coisa que foi feita no Afeganistão depois da derrota dos talibãs foi&lt;br /&gt;recomeçar as transmissões televisivas. Este universalismo da TV se explica, por&lt;br /&gt;um lado, pelo fato de que ela é a vanguarda da mercadoria, também em lugares&lt;br /&gt;onde a mercadoria não existe, ou quase não existe, e mesmo onde é renegada.&lt;br /&gt;Aquela maioria da humanidade que não tem acesso a quase nenhuma das mercadorias&lt;br /&gt;promovidas na TV não se cansa, porém, de olhar a promessa destas, o espetáculo&lt;br /&gt;do espetáculo. No país mais pobre e retrógrado da Europa, a Albânia, em frente&lt;br /&gt;à Itália, do outro lado do Adriático, os habitantes assistiam à televisão&lt;br /&gt;italiana durante a longa ditadura stalinista que lá permaneceu até os nossos&lt;br /&gt;dias, e depois da derrocada do regime, em 1990, uma boa parte deles se colocou&lt;br /&gt;em movimento para alcançar a Itália e ver a terra prometida, de modo que,&lt;br /&gt;finalmente, o ainda primeiro ministro italiano Andreotti, conhecido pelo seu&lt;br /&gt;cinismo, exclamou: &amp;quot;Mas essa gente pensava realmente que toda a Itália&lt;br /&gt;fosse como nos espetáculos televisivos?&amp;quot; E mandou depois o exército&lt;br /&gt;reenviar os iludidos para casa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Em&lt;br /&gt;uma perspectiva ainda mais ampla, também necessariamente vaga, poderia dar-se&lt;br /&gt;que o triunfo da televisão é, assim, universal, porque ela vem ao encontro de&lt;br /&gt;um profundo infantilismo da humanidade e a um desejo de regressão. Assim como o&lt;br /&gt;indivíduo, também a humanidade poderia sentir cansaço e resistência diante do&lt;br /&gt;processo de tornar-se adulto. A cultura da epopéia ou do romance burguês é&lt;br /&gt;claramente uma cultura dos adultos. De fato, as crianças não entendem um&lt;br /&gt;romance, uma epopéia ou uma poesia. A televisão ao invés, como notava Adorno&lt;br /&gt;nos anos sessenta, dirige-se a um espectador da idade de onze anos. Desde&lt;br /&gt;então, esta idade-alvo foi ainda notavelmente diminuída. Os desenhos animados,&lt;br /&gt;dos quais se falava antes, enquanto produto mais universalmente amado pelos&lt;br /&gt;telespectadores, são perfeitamente desfrutáveis por um menino de três anos. Uma&lt;br /&gt;breve viagem por mar pode mostrar coisas como um ângulo do navio com brinquedos&lt;br /&gt;e desenhos animados proposto às crianças para evitar a vista do mar e da costa.&lt;br /&gt;Mas a maior parte dos espectadores eram pessoas ditas adultas. &amp;quot;Em nenhuma&lt;br /&gt;parte existe acesso para a idade adulta&amp;quot;, dizia Debord em um de seus&lt;br /&gt;filmes, e nem sequer à infância verdadeira, podemos acrescentar, mas somente à&lt;br /&gt;&amp;quot;infantilização&amp;quot;. Porque nisto tem razão Neil Postman com o seu livro&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O desaparecimento da infância&lt;/em&gt;, este&lt;br /&gt;publicado já no Brasil: os espetáculos televisivos, indistintamente propostos&lt;br /&gt;aos espectadores de todas as idades, têm de fato abolido aquela infância que a&lt;br /&gt;cultura do livro impresso ajudou a criar, enquanto a televisão trata de novo as&lt;br /&gt;crianças como pequenos adultos – mas adultos por ela tornados infantis, devemos&lt;br /&gt;acrescentar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span&gt;              &lt;/span&gt;Mas&lt;br /&gt;a antropogênese negativa da qual a televisão é um fator poderoso é&lt;br /&gt;verdadeiramente fatal, como afirmam com resignação Postman, Baudrillard e&lt;br /&gt;tantos outros? É bastante cedo para dizê-lo. Posso dizer que em qualquer&lt;br /&gt;povoado, os mesmos idosos que não querem permanecer uma noite em casa sem a TV,&lt;br /&gt;exprimem freqüentemente nostalgia para com o tempo passado, no qual à noite&lt;br /&gt;eles se reuniam nas calçadas para conversar e até cantar, ou no qual as&lt;br /&gt;mulheres lavavam as roupas juntas à fonte, trocando bisbilhotices, em vez de&lt;br /&gt;assistirem cada qual sozinha às telenovelas, com suas bisbilhotices inventadas&lt;br /&gt;e alheias. Outra observação: quando há alguns anos na Itália propôs-se um&lt;br /&gt;plebiscito para pedir a abolição dos &lt;em&gt;spots&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;publicitários nos filmes, os adversários desta iniciativa – que visava&lt;br /&gt;limitar o grande poder de Berlusconi – procuravam difundir a impressão de que&lt;br /&gt;se tratava de um plebiscito pró ou contra a televisão enquanto tal. Mas, apesar&lt;br /&gt;disso, só uma minoria consistente apoiou o plebiscito! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Não&lt;br /&gt;é impossível o fato que talvez muita gente, se fosse deixada sem televisão,&lt;br /&gt;depois de um momento de perturbação, esfregariam os olhos, perguntando-se de&lt;br /&gt;que coisa despertou. É inacreditável, mas uma semelhante experiência parece&lt;br /&gt;nunca ter sido feita em nenhum país dito civilizado. Qualquer gênero de&lt;br /&gt;experimentação sobre a vida das populações é considerado lícito, do amianto aos&lt;br /&gt;campos transgênicos. Mas, deixar uma pequena cidade um mês sem televisão com o&lt;br /&gt;objetivo experimental, disto nunca se ouviu falar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Talvez&lt;br /&gt;se verá um dia, contudo, ações mais fortes. Segundo uma tradição citada por&lt;br /&gt;Walter Benjamin nas &amp;quot;Teses sobre o conceito de história&amp;quot;, durante&lt;br /&gt;a&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Comuna de Paris de 1871 ou segundo uma&lt;br /&gt;outra versão, devida a Elias Canetti, em seu &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black; font-style: normal&quot;&gt;Massa&lt;br /&gt;e Poder&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black&quot;&gt;, após a Revolução de Outubro de 1917 da Rússia, ou ainda&lt;br /&gt;durante a revolução espanhola de 1936, os revolucionários disparavam nos&lt;br /&gt;relógios públicos. Quem sabe não veremos em breve, ainda que tardiamente,&lt;br /&gt;outros disparos, agora nas televisões? &lt;span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span&gt;        &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;</description>
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		<title>Crítica da Mercadoria</title>
		<category>Primeiro blog</category>
		<pubDate>2009-01-13T14:41:08Z</pubDate>
		<description>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BreakWrappedTables/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:SnapToGridInCell/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:Compatibility&gt;&lt;br /&gt;&lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;&lt;br /&gt;&lt;/w:WordDocument&gt;&lt;br /&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--&lt;br /&gt;/* Font Definitions */&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:&quot;Arial Unicode MS&quot;;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 4 2 2 2 2 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:128;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:-1 -369098753 63 0 4129279 0;}&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:Verdana;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:0;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;}&lt;br /&gt;@font-face&lt;br /&gt;{font-family:&quot;@Arial Unicode MS&quot;;&lt;br /&gt;panose-1:2 11 6 4 2 2 2 2 2 4;&lt;br /&gt;mso-font-charset:128;&lt;br /&gt;mso-generic-font-family:swiss;&lt;br /&gt;mso-font-pitch:variable;&lt;br /&gt;mso-font-signature:-1 -369098753 63 0 4129279 0;}&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal&lt;br /&gt;{mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;margin:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;color:windowtext;}&lt;br /&gt;em&lt;br /&gt;{mso-bidi-font-style:normal;}&lt;br /&gt;p&lt;br /&gt;{margin-top:14.0pt;&lt;br /&gt;margin-right:0cm;&lt;br /&gt;margin-bottom:14.0pt;&lt;br /&gt;margin-left:0cm;&lt;br /&gt;mso-pagination:none;&lt;br /&gt;mso-hyphenate:none;&lt;br /&gt;mso-layout-grid-align:none;&lt;br /&gt;punctuation-wrap:simple;&lt;br /&gt;text-autospace:none;&lt;br /&gt;font-size:12.0pt;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Arial Unicode MS&quot;;&lt;br /&gt;mso-hansi-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;mso-bidi-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;&lt;br /&gt;color:black;}&lt;br /&gt;@page Section1&lt;br /&gt;{size:595.25pt 841.85pt;&lt;br /&gt;margin:2.0cm 2.0cm 2.0cm 2.0cm;&lt;br /&gt;mso-header-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-footer-margin:36.0pt;&lt;br /&gt;mso-paper-source:0;}&lt;br /&gt;div.Section1&lt;br /&gt;{page:Section1;&lt;br /&gt;mso-footnote-position:beneath-text;}&lt;br /&gt;--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt;&lt;br /&gt;/* Style Definitions */&lt;br /&gt;table.MsoNormalTable&lt;br /&gt;{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;;&lt;br /&gt;mso-tstyle-rowband-size:0;&lt;br /&gt;mso-tstyle-colband-size:0;&lt;br /&gt;mso-style-noshow:yes;&lt;br /&gt;mso-style-parent:&quot;&quot;;&lt;br /&gt;mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;&lt;br /&gt;mso-para-margin:0cm;&lt;br /&gt;mso-para-margin-bottom:.0001pt;&lt;br /&gt;mso-pagination:widow-orphan;&lt;br /&gt;font-size:10.0pt;&lt;br /&gt;font-family:&quot;Times New Roman&quot;;}&lt;br /&gt;&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana; color: black&quot;&gt;A mercadoria é um produto destinado&lt;br /&gt;desde o princípio à venda e ao mercado (e não muda grande coisa caso seja um&lt;br /&gt;mercado regulado pelo Estado). Em uma economia de mercadorias não conta a&lt;br /&gt;utilidade do produto, mas sim unicamente sua capacidade de ser vendido e de&lt;br /&gt;transformar-se, por mediação do dinheiro, em outra mercadoria. Por conseguinte,&lt;br /&gt;só se acede a um valor de uso por meio da transformação do próprio produto em&lt;br /&gt;valor de troca, em dinheiro. Uma mercadoria enquanto mercadoria não se acha&lt;br /&gt;definida, portanto, pelo trabalho&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;concreto que a produziu, mas sim que é uma mera quantidade de&lt;br /&gt;trabalho&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;indistinto, abstrato; quer&lt;br /&gt;dizer, a quantidade de tempo&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;de&lt;br /&gt;trabalho&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;que se gastou em produzir-la.&lt;br /&gt;Disso deriva um grave inconveniente: não são os homens mesmos quem regulam a&lt;br /&gt;produção&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;em função&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;de suas necessidades, mas que há una&lt;br /&gt;instância anônima, o mercado, que regula a produção&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;em&gt;post&lt;br /&gt;festum&lt;/em&gt;. O sujeito não é o homem, mas sim a mercadoria enquanto “sujeito&lt;br /&gt;automático” (Marx). Os processos&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;vitais&lt;br /&gt;dos homens restam abandonados à gestão&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;totalitária e inapelável de um mecanismo cego que eles alimentam, mas&lt;br /&gt;não controlam. A mercadoria separa a produção&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;do consumo e subordina a utilidade ou nocividade concretas de cada coisa&lt;br /&gt;à questão&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;de quanto trabalho&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;abstrato, representado pelo dinheiro, esta&lt;br /&gt;seja capaz de realizar no mercado. A redução&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;dos trabalhos concretos a trabalho&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;abstrato não é uma mera astúcia técnica nem uma simples operação&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;mental. Na sociedade da mercadoria, o&lt;br /&gt;trabalho&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;privado e concreto só se faz&lt;br /&gt;social, ou seja, útil para os demais e, por isso, para seu produtor, a troco de&lt;br /&gt;despojar-se de suas qualidades próprias e de se fazer abstrato. A partir daí,&lt;br /&gt;só conta o movimento quantitativo, quer dizer, o aumento do trabalho&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;abstrato, enquanto a satisfação&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;das necessidades se converte em um efeito&lt;br /&gt;secundário e acessório que pode se dar ou não. O valor de uso se transforma em&lt;br /&gt;mero portador do valor de troca, a diferença do que sucedia em todas as&lt;br /&gt;sociedades anteriores. Ainda assim, sempre deve haver um valor de uso; fato&lt;br /&gt;este que constitui um limite contra o que choca constantemente a tendência do&lt;br /&gt;valor de troca, do dinheiro, a incrementar-se de maneira ilimitada e&lt;br /&gt;tautológica. A melhor definição do trabalho&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;abstrato, depois da de Marx, foi dada nada menos que por John Maynard&lt;br /&gt;Keynes, ainda que sem a menor intenção&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;crítica: &amp;quot;Desde o ponto de vista da economia nacional, cavar&lt;br /&gt;buracos e em seguida enchê-los é&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;uma&lt;br /&gt;atividade inteiramente sensata&amp;quot;.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;             &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;Em&lt;br /&gt;um texto denominado &lt;em&gt;As sutileza&lt;br /&gt;metafísicas da mercadoria&lt;/em&gt; podemos encontrar um resumo do pensamento de&lt;br /&gt;Jappe a esse respeito. Ali, destaca que, em geral, a existência de mercadorias&lt;br /&gt;costuma ser considerado um fato inteiramente natural, pelo menos em qualquer&lt;br /&gt;sociedade medianamente desenvolvida, e a única questão que se coloca é sobre o&lt;br /&gt;que fazer com elas. Pode-se afirmar, desde logo, que há pessoas no mundo que&lt;br /&gt;têm demasiado poucas mercadorias e que se teria de lhes dar um pouco mais, ou&lt;br /&gt;que algumas mercadorias estão mal-feitas, ou que contaminam o ambiente e que&lt;br /&gt;são perigosas. Mas com isso não se diz nada contra a mercadoria enquanto tal.&lt;br /&gt;Se pode desaprovar certamente o &amp;quot;consumismo&amp;quot; ou a&lt;br /&gt;&amp;quot;comercialização&amp;quot;, isto é, pedir à mercadoria que fique em seu lugar&lt;br /&gt;e que não invada outros terrenos como, por exemplo, o corpo humano. Mas tais&lt;br /&gt;observações têm um sabor moralista e, além disso, parecem&lt;br /&gt;&amp;quot;antiquadas&amp;quot;, e ser antiquado é o único crime intelectual que ainda&lt;br /&gt;existe. Tudo se passa como se a mercadoria tivesse existido sempre e sempre&lt;br /&gt;existirá, por mais que mude sua distribuição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Se&lt;br /&gt;entendermos por mercadoria simplesmente um &amp;quot;produto&amp;quot;, um objeto que&lt;br /&gt;passa de uma pessoa a outra, então a afirmação da inevitabilidade da mercadoria&lt;br /&gt;é sem dúvida verdadeira, porém também um pouco tautológica. Esta é, no entanto,&lt;br /&gt;a definição que tem dado toda a economia política burguesa depois de Marx. Se&lt;br /&gt;não queremos nos contentar com essa definição, temos de reconhecer na&lt;br /&gt;mercadoria uma forma específica de produto humano, uma forma social que só&lt;br /&gt;desde há alguns séculos - e em boa parte do mundo, desde há poucos decênios –&lt;br /&gt;chegou a ser predominante na sociedade. A mercadoria possui uma estrutura&lt;br /&gt;particular, e se analisarmos a fundo os fenômenos mais diversos, as guerras&lt;br /&gt;contemporâneas ou as quebras dos mercados financeiros, os desastres&lt;br /&gt;hidro-geológicos de nossos dias ou a crise dos Estados nacionais, a fome no&lt;br /&gt;mundo ou as mudanças nas relações entre os sexos, achamos sempre na origem a&lt;br /&gt;estrutura da mercadoria. Conste que isso é conseqüência do fato de que a sociedade&lt;br /&gt;mesma reduziu tudo a mercadoria; a teoria não faz mais que tomar nota disto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Talvez&lt;br /&gt;a mercadoria e sua forma geral, o dinheiro, tenham tido alguma função&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;positiva nos primórdios, facilitando a&lt;br /&gt;ampliação&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;das necessidades. Porém, sua&lt;br /&gt;estrutura é como uma bomba-relógio, um vírus inscrito no código genético da&lt;br /&gt;sociedade moderna, especialmente quando começa a induzir falsas necessidades,&lt;br /&gt;que por sua vez, em um consumismo desenfreado, retro-alimentam a produção&lt;br /&gt;desenfreada de inutilidades. Quanto mais a mercadoria se apodera do controle da&lt;br /&gt;sociedade, tanto mais vai minando os alicerces da sociedade mesma, tornando-a&lt;br /&gt;de todo incontrolável e convertendo-a em uma máquina que funciona sozinha. Não&lt;br /&gt;se trata, por tanto, de apreciar a mercadoria ou de condená-la: é a mercadoria&lt;br /&gt;mesma que se inviabiliza, a longo prazo, e talvez não só a si mesma. A&lt;br /&gt;mercadoria destrói inexoravelmente a sociedade da mercadoria. Como forma de&lt;br /&gt;socialização&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;indireta e inconsciente,&lt;br /&gt;esta não pode deixar de produzir desastres.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Este&lt;br /&gt;processo,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;no qual a vida social dos&lt;br /&gt;homens se transferiu para suas mercadorias, é o que Marx chamou o fetichismo da&lt;br /&gt;mercadoria: no lugar de controlar sua produção&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;material, os homens são controlados por ela; são governados por seus&lt;br /&gt;produtos, que se fizeram independentes, o mesmo que sucede com a religião. O&lt;br /&gt;termo &amp;quot;fetichista&amp;quot; entrou na linguagem cotidiana, e freqüentemente se&lt;br /&gt;diz de alguém que é um fetichista do automóvel, da roupa o do telefone celular.&lt;br /&gt;Este uso do termo &amp;quot;fetichista&amp;quot; parece vincular-se,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;no entanto, antes ao sentido em que o&lt;br /&gt;empregava Freud, a saber, o de conferir a um mero objeto um significado emotivo&lt;br /&gt;derivado de outros contextos. Ainda que os objetos de tais fetichismos sejam&lt;br /&gt;mercadorias, parece pouco provável que esse &amp;quot;fetichismo&amp;quot; cotidiano&lt;br /&gt;seja o mesmo que o &amp;quot;fetichismo da mercadoria&amp;quot; de Marx. Por um lado,&lt;br /&gt;porque resulta mais difícil admitir que a mercadoria enquanto tal, e não só&lt;br /&gt;algumas mercadorias particulares, possam ser para nós, os modernos, objeto de&lt;br /&gt;um culto comparável ao que os chamados selvagens rendiam a seus totens e a seus&lt;br /&gt;animais embalsamados. O amor excessivo a certas mercadorias é somente um&lt;br /&gt;epifenômeno do processo&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;pelo qual a&lt;br /&gt;mercadoria enfeitiçou toda a vida social, porque tudo o que a sociedade tem ou&lt;br /&gt;pode ter se projetou nas mercadorias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;Porém,&lt;br /&gt;também aqueles a quem a mercadoria não deveria parecer-lhes tão&lt;br /&gt;&amp;quot;normal&amp;quot;, quer dizer, os supostos marxistas, se mostraram pouco&lt;br /&gt;dispostos a reconhecer-se como selvagens. Tal renitência se viu coadjuvada pelo&lt;br /&gt;fato de que o &amp;quot;fetichismo da mercadoria&amp;quot; e seus derivados - dinheiro,&lt;br /&gt;capital, juros - ocupa na obra, por assim dizer, canônica, de Marx um&lt;br /&gt;espaço&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;quantitativamente&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;muito reduzido, e não se pode dizer que ele&lt;br /&gt;mesmo o tenha colocado no centro de sua teoria, considerando que tais temas o&lt;br /&gt;ocuparam mais em sua, por assim dizer, juventude, na primeira metade do século&lt;br /&gt;XIX. Ademais, a definição marxiana do fetichismo, como toda sua teoria do valor&lt;br /&gt;e do trabalho&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;abstrato, é tremendamente&lt;br /&gt;difícil de entender, especialmente se não se leva em conta sua produção&lt;br /&gt;inicial, que veio a lume quando já se haviam estabelecido diversos dogmas e&lt;br /&gt;mal-entendidos do marxismo tradicional ou “exotérico”; o que não se deve, por&lt;br /&gt;certo, a que Marx foi incapaz de expressar-se devidamente, mas antes ao fato de&lt;br /&gt;que, como ele mesmo disse, o paradoxo da realidade se expressa em paradoxos&lt;br /&gt;lingüísticos. O desdobramento de todo produto humano em dois aspetos, o valor&lt;br /&gt;de troca e o valor de uso, determina quase todos os aspectos de nossa vida e,&lt;br /&gt;sem embargo, desafia nossa compreensão&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;e&lt;br /&gt;o senso comum, quiçá um pouco como a teoria&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;da relatividade. Era difícil fazer do fetichismo um discurso para as&lt;br /&gt;massas, como se fez com a &amp;quot;luta&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;de&lt;br /&gt;classes&amp;quot; ou a &amp;quot;exploração&amp;quot;. Ademais, a análise marxiana do&lt;br /&gt;fetichismo indicava uma espécie&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;de&lt;br /&gt;núcleo secreto da sociedade burguesa, núcleo que só pouco a pouco veio&lt;br /&gt;fazendo-se visível; durante quase um século, a atenção&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;permaneceu fixada nos efeitos&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;secundários da forma-mercadoria, tais como a&lt;br /&gt;exploração&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;das classes trabalhadoras.&lt;br /&gt;Não é em vão que Marx utiliza, quando&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;fala do caráter&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;de fetiche da&lt;br /&gt;mercadoria, em poucas&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;páginas os termos&lt;br /&gt;&amp;quot;arcano&amp;quot;, &amp;quot;sutileza metafísica&amp;quot;, &amp;quot;caprichos&lt;br /&gt;teológicos&amp;quot;, &amp;quot;misterioso&amp;quot;, &amp;quot;extravagâncias&lt;br /&gt;admiráveis&amp;quot;, &amp;quot;caráter&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;místico&amp;quot;, &amp;quot;caráter&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;enigmático&amp;quot;,&lt;br /&gt;&amp;quot;&lt;em&gt;quid pro quo&lt;/em&gt;&amp;quot;, &amp;quot;forma&lt;br /&gt;fantasmagórica&amp;quot;, &amp;quot;região&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;nebulosa&amp;quot;, &amp;quot;hieróglifos&amp;quot;, &amp;quot;forma extravagante&amp;quot;,&lt;br /&gt;&amp;quot;misticismo&amp;quot;, &amp;quot;bruxaria&amp;quot; e &amp;quot;feitiço&amp;quot;. O&lt;br /&gt;fetichismo é o segredo fundamental da sociedade moderna, o que não se diz nem&lt;br /&gt;se deve revelar. Nisso se parece ao inconsciente psicanalítico, donde se&lt;br /&gt;compreende que Lacan não estava fazendo mais uma de suas blagues quando atribui&lt;br /&gt;a Marx, no seu célebre Seminário, a descoberta do inconsciente; e a&lt;br /&gt;descrição&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;marxiana do fetichismo como&lt;br /&gt;forma de inconsciência social e como cego processo&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;auto-regulador mostra interessantes analogias&lt;br /&gt;não só com a teoria&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;freudiana, mas&lt;br /&gt;também com outras, mais recentes, com aquela da autopoiese, formulada em nível&lt;br /&gt;biológico por autores como Humberto Maturana, e em nível sociológico por&lt;br /&gt;outros, como Niklas Luhmann, amplamente incorporada, por exemplo, na mais&lt;br /&gt;recente descrição habermasiana da sociedade atual. Não surpreende, portanto,&lt;br /&gt;que o fetichismo, tal como o inconsciente, empregue toda sua sutileza&lt;br /&gt;metafísica e toda sua astúcia de teólogo para não se dar a conhecer. Durante&lt;br /&gt;muito tempo, tal ocultamento não foi muito difícil: criticar o fetichismo teria&lt;br /&gt;implicado em pôr em questão todas as categorias&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;que inclusive os supostos marxistas e os críticos da sociedade burguesa&lt;br /&gt;tinham interiorizado por completo, considerando-as dados naturais sobre os&lt;br /&gt;quais&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;só se podia&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;discutir o mais ou o menos, o como e,&lt;br /&gt;sobretudo, o &amp;quot;para quem&amp;quot;, porém sem questionar sua existência em si:&lt;br /&gt;o valor, o trabalho abstrato, o dinheiro, o Estado, a democracia, a&lt;br /&gt;produtividade. Só quando&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;a luta&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;pela distribuição desses bens&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;conduziu, durante o período&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;do (segundo) pós-guerra, a uma situação de&lt;br /&gt;equilíbrio no &lt;em&gt;welfare state&lt;/em&gt; fordista,&lt;br /&gt;resultou possível colocar no centro das atenções a mercadoria enquanto tal e os&lt;br /&gt;desastres que produz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;Apesar de que a economia –&lt;br /&gt;mercadoria e dinheiro – se nos afigura como sendo “tudo”, esta forma de&lt;br /&gt;totalidade abstrata aparece ideologicamente como individualizada enquanto&lt;br /&gt;esfera funcional da chamada economia, cujo espaço institucional é o mercado. À&lt;br /&gt;sua vez, as chamadas políticas econômicas são&lt;span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;as ideologias legitimadoras correspondentes ao âmbito das relações de&lt;br /&gt;produção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt; &lt;br /&gt;&lt;span&gt;              &lt;/span&gt;Por isso a política não é&lt;br /&gt;mais que uma forma de automediação do sistema que não pode desaparecer porque é&lt;br /&gt;depositária da forma jurídica, como administrador daqueles recursos que se&lt;br /&gt;tornaram condições gerais de todo o processo de valorização, sem poder valorizar&lt;br /&gt;diretamente o dinheiro (porventura o caso mais claro seja o das&lt;br /&gt;infraestruturas). E a encarnação mesma da política como forma de automediação e&lt;br /&gt;arbitragem para a valorização é o Estado (que é tanto como dizer o poder).&lt;br /&gt;Assim, a política, no estrito sentido conceitual, nada mais é que a atividade&lt;br /&gt;relacionada positivamente ao Estado (ao poder). A esfera funcional da política&lt;br /&gt;tem como espaço institucional o Estado, que fica definido como universalidade&lt;br /&gt;abstrata jurídica de uma sociedade de produtores de mercadorias. ‘Abstrata’ em&lt;br /&gt;razão de não ser mediada por uma comunicação concreta sobre relações sensíveis&lt;br /&gt;e materiais concretas de reprodução comum, mas pela abstração do valor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt; &lt;br /&gt;&lt;span&gt;              &lt;/span&gt;Se a esfera funcional da&lt;br /&gt;política – cujo espaço institucional é o Estado, à sua vez encarnação do poder&lt;br /&gt;-, que existe só em função da abstração economizada do mundo, as principais&lt;br /&gt;lutas e antagonismos político-ideológicos na modernidade, derivados da cisão&lt;br /&gt;estrutural do sistema produtor de mercadorias nas esferas ‘independentes’ da&lt;br /&gt;economia e da política, são de algum jeito enganosas e fictícias. Permanecem&lt;br /&gt;presentes, mas apenas como invólucros vazios, gastos e desbotados. Que batalhas&lt;br /&gt;se livram hoje da esfera funcional da política para se subtrair à abstração&lt;br /&gt;economizada do mundo, ao império inexorável das leis naturalizadas do mercado,&lt;br /&gt;quando a economia cavalga desbocada? Apenas se pode tentar montar na besta,&lt;br /&gt;para domá-la?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt; &lt;br /&gt;&lt;span&gt;              &lt;/span&gt;A suposta autonomia da&lt;br /&gt;política é desmentida já pelo fato de a esfera política não dispor de nenhum&lt;br /&gt;meio próprio de influência. Todo o que o Estado faz por intermédio da política&lt;br /&gt;tem que fazê-lo por intermédio do mercado, quer dizer, na forma do dinheiro.&lt;br /&gt;Cada medida e cada instituição precisam ser financiadas. A dependência da&lt;br /&gt;política do financiamento - assim como de ambos da ciência tecnologizada (ou a&lt;br /&gt;tecnologia cientificizada, como queiram) - é absoluta, já que a esfera&lt;br /&gt;político-estatal não pode criar dinheiro autonomamente (ou, se o faz, é à custa&lt;br /&gt;de depreciações, nas que o próprio mercado volta a ditar as regras). Apesar&lt;br /&gt;disso, a idéia do comando político-estatal sobre a economia, quer como poder revolucionário&lt;br /&gt;ou reformista do trabalho, quer como um centro imperialista, vagueou sempre com&lt;br /&gt;novas variantes no marxismo e trabalhismo, que jamais pensaram a superação da&lt;br /&gt;forma mercadoria. Para Kurz, muito certeiramente, é ingênuo o aparentemente&lt;br /&gt;incorrupto paradigma da esquerda sobre o ‘economicismo’, quando a política&lt;br /&gt;aparece já forçosamente como economizada e quando tende a se reduzir de forma&lt;br /&gt;cada vez mais aberta e unidimensional à política econômica. A crítica do&lt;br /&gt;economicismo compensa esta omissão da forma mercadoria através de fantasias&lt;br /&gt;politicistas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt;                &lt;/span&gt;Se em caso contrário se optar&lt;br /&gt;por uma política econômica nacional do outro pólo ideológico da modernização –&lt;br /&gt;e fazendo abstração das dificuldades imensas que se põem a este objetivo no&lt;br /&gt;atual contexto global-, ficaria incólume outra vez o campo total do sistema&lt;br /&gt;produtor de mercadorias: a transformação incessante do trabalho em dinheiro e,&lt;br /&gt;como isso, a valorização ou economização abstrata do mundo. A política&lt;br /&gt;econômica nacional seria apenas uma macro-política capitalista de Estado, um&lt;br /&gt;capitalismo coletivo ideal virado para fora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt; &lt;br /&gt;&lt;span&gt;              &lt;/span&gt;Há outros aspectos ligados a&lt;br /&gt;esta reflexão&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;que são igualmente&lt;br /&gt;pertinentes, porque nos ajudam a abrir novas perspectivas. As esquerdas&lt;br /&gt;continuam muito atadas a certo fetichismo jurídico que impossibilita, muitas&lt;br /&gt;vezes, repensar as políticas econômicas convencionais. Será que porventura&lt;br /&gt;entre as cegas leis do mercado e a propriedade estatalizada (capitalismo de&lt;br /&gt;Estado) não se acha nenhuma fenda de superação progressiva da pretensão&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;totalitária da economia? A teoria crítica do&lt;br /&gt;valor achega algumas idéias muito interessantes na hora de falar, por exemplo,&lt;br /&gt;da forma de aproveitar coletivamente os recursos da terra:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;margin-left: 54pt; text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt; &lt;em&gt;No socialismo de Estado até já &lt;/em&gt;não&lt;em&gt;&lt;br /&gt;havia propriedade privada. Mas a propriedade do Estado sobre a terra sem dúvida&lt;br /&gt;significava igualmente uma separação jurídica dos seres humanos dos seus&lt;br /&gt;elementares meios de produção. A propriedade jurídica da terra foi&lt;br /&gt;estabelecida, no sentido da afirmação de Marx, para negar a graça do simples&lt;br /&gt;possuir, isto é, da utilização à moda da auto-administração comunal &lt;/em&gt;(Kurz).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;O&lt;br /&gt;&amp;quot;fetichismo da mercadoria&amp;quot; não significa somente uma adoração dos&lt;br /&gt;bens de consumo, um excessivo investimento afetivo sobre eles, como o termo&lt;br /&gt;poderia fazer pensar à primeira vista. Não indica, nem mesmo, somente uma forma&lt;br /&gt;de consciência mistificada, que vela o verdadeiro funcionamento da exploração&lt;br /&gt;capitalista, como quer a vulgata marxista. O conceito de fetichismo indica,&lt;br /&gt;sobretudo. isto: na sociedade capitalista da mercadoria, a produção não&lt;br /&gt;acontece para o seu conteúdo, para o seu valor de uso. Acontece para&lt;br /&gt;incrementar o valor, o valor de troca das mercadorias, e este valor é&lt;br /&gt;determinado pela quantidade de trabalho que foi necessária para produzir a&lt;br /&gt;mercadoria – quer seja material ou imaterial não tem importância. Não é&lt;br /&gt;determinado pela quantidade de trabalho concreto e real, mas de trabalho&lt;br /&gt;simplesmente, de trabalho indiferenciado, de trabalho abstrato, como disse&lt;br /&gt;Marx. Na ótica da produção capitalista de mercadorias, a produção de objetos&lt;br /&gt;concretos é somente um aspecto secundário; o que conta é transformar o trabalho&lt;br /&gt;vivo em trabalho morto, objetivado, passado, e esta transformação deve&lt;br /&gt;acontecer segundo os parâmetros de produtividade vigentes naquele momento. O&lt;br /&gt;destino de um produto, e de toda a produção, não depende da sua real utilidade&lt;br /&gt;para alguém, nem da sua beleza, nem do seu valor simbólico, mas da sua&lt;br /&gt;capacidade de ser vendido, de modo que o valor de troca contido nele volte a&lt;br /&gt;alimentar um ciclo sempre ampliado de produção e consumo. A questão de, por&lt;br /&gt;exemplo, se produzir caças bombardeiro ou pães não depende de uma decisão&lt;br /&gt;consciente e coletiva que leva em conta as necessidades sociais, mas depende do&lt;br /&gt;proveito que se pode obter com uma ou outra coisa. Isto, todos nós sabemos. Não&lt;br /&gt;se trata, contudo, somente de uma aberração moral, ou de um defeito imputável&lt;br /&gt;exclusivamente à avidez de certos indivíduos ou classes sociais. A sociedade&lt;br /&gt;baseada na produção de mercadorias se apresenta a cada um como um sistema já dado.&lt;br /&gt;Embora esta sociedade seja incontestavelmente um produto da ação humana, ela é&lt;br /&gt;opaca e impõe a cada um as suas regras. Na sociedade da mercadoria o sujeito&lt;br /&gt;não é o homem, o sujeito é o valor e a mercadoria, o dinheiro e o capital, o&lt;br /&gt;mercado e a concorrência. São estas criações do homem a governar a sociedade&lt;br /&gt;humana sem que nela exista sequer a consciência deste fato, porque este&lt;br /&gt;processo se apresenta como &amp;quot;natural&amp;quot; aos sujeitos envolvidos. Nem&lt;br /&gt;toda sociedade é, porém, uma sociedade da mercadoria, porque a mercadoria não é&lt;br /&gt;uma categoria supra-histórica como o &amp;quot;bem&amp;quot; ou o &amp;quot;produto&amp;quot;,&lt;br /&gt;mas é uma determinada forma histórica deles. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;A&lt;br /&gt;sociedade da mercadoria criou forças muito maiores do que aquelas de que&lt;br /&gt;dispunham outras sociedades, chegando ao ponto de poder devastar o mundo&lt;br /&gt;inteiro. Mas ao mesmo tempo, o homem moderno tem ainda menos poder sobre estas&lt;br /&gt;forças do que seus predecessores. Não pode fazer outra coisa senão&lt;br /&gt;contemplá-las e fazer-se governar por elas. Pode-se renunciar aqui às&lt;br /&gt;considerações sobre outras formas de alienação e fetichismo que reinavam em&lt;br /&gt;sociedades precedentes que naturalmente não constituíam um Éden. &amp;quot;Não se&lt;br /&gt;pode fazer outra coisa&amp;quot; não significa que se trata de um destino&lt;br /&gt;invencível em absoluto, mas que esta é uma conseqüência lógica enquanto se vive&lt;br /&gt;em uma sociedade da mercadoria. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;margin-left: 54pt; text-align: justify; line-height: 200%&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;</description>
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